quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Arte Gótica

Construção de uma Catedral
Os Pedreiros livres e as catedrais góticas

A catedral, na tradição cristã, deve ser a casa de Deus na terra e, como tal, “reflexo da ordem e da beleza que resplandecem em Seu trono”.

Os construtores medievais, grupos de pedreiros livres que desempenhavam seu ofício em toda a Europa, foram os criadores dos mais fascinantes testemunhos de inteligência e fé no final da Idade Média, as catedrais góticas.

Essas obras revelam a genialidade dos mestres construtores e algumas de suas técnicas.

A catedral era, seguindo uma visão hierárquica das igrejas, meramente uma moradia para bispos e sua assembléia religiosa. Porém, com o clima de grande disputa no início do período gótico, essas catedrais assumiram grandes proporções se tornando verdadeiros monumentos.

A construção de uma catedral gótica formigava com dúzias de trabalhadores dispostos em times de trabalho e que recebiam por aquilo que faziam.

Cada construção era supervisionada por um mestre construtor e por volta de 30 artesãos especialistas. Esses especialistas e alguns de seus mais habilidosos trabalhadores se moviam de função em função aplicando lições aprendidas e passadas de um a um.

O mestre construtor atuava como um projetista, um artista e ainda como um artesão. Com o auxílio de réguas, compassos, esquadros e outras poucas ferramentas geométricas, ele fazia as plantas da catedral.

Aí está a origem das Lojas Maçônicas modernas, que aproveitaram a estrutura das lojas de construtores medievais, suas ferramentas e algumas práticas e a isto associaram conhecimentos iniciáticos milenares, patrimônio intelectual, da humanidade, anterior ao cristianismo.


Construção de uma Catedral Gótica

Construção das abóbadas Salvadori, Mario.
Why Buildings Stand Up. WW Norton & Company, New York, 1990


Amiens Cathedral

A planta básica da catedral gótica pouco diferia das encontradas em catedrais de períodos anteriores. Sob a forma de uma cruz, a catedral se dividia basicamente em: nave, transeptos, e coro.

Na parte inferior da cruz se situava a nave central circundada por naves laterais; na faixa horizontal existiam os transeptos e o cruzeiro, e na base da nave tinha-se a fachada principal; existiam ainda torres, porém de localização variada.

Legenda:
1. Capela Radial
2. Deambulatório
3. Altar
4. Coro
5. Corredores laterais do coro
6. Cruzeiro
7. Transepto
8. Contraforte
9. Nave
10. Nave lateral
11. Fachada, portal.

Fundação da Catedral Macaulay, David.
Construção de uma Catedral. Martins Fontes, São Paulo, 1988

      A fundação das catedrais tinha por volta de 9 metros de profundidade e era formada por camadas de pedras (blocos de calcário) assentadas com argamassa cuidadosamente dosada de areia, cal e água sobre a terra argilosa no fundo da escavação.


Construção dos arcobotantes Macaulay, David.
Construção de uma Catedral. Martins Fontes, São Paulo, 1988.

      Devido ao custo, os andaimes eram mínimos, assim os trabalhadores confiavam sua alma a Deus e andavam sobre flexíveis plataformas.

      Um perigoso momento para os trabalhadores ocorria quando as paredes atingiam suas alturas finais e os troncos de madeira para o telhado deviam ser elevados a essas alturas.


Construção dos arcobotantes e telhado Macaulay, David. Construção de uma Catedral. Martins Fontes, São Paulo, 1988.

O telhado era colocado antes da construção das abóbadas. Auto-portantes, os telhados serviam de plataforma para a subida do maquinário empregado na construção das abóbadas de pedra.


Construção da abóbada Macaulay, David.
Martins Fontes, São Paulo, 1988.

Assim, com o telhado pronto, podia-se iniciar a construção das abóbadas. Uma a uma, as pedras talhadas das nervuras eram colocadas sobre os cimbres de madeira e firmadas pelos pedreiros.

Entre os cimbres eram instaladas tábuas de madeira, as quais funcionavam como base para o assentamento das pedras durante a secagem da argamassa.

Após a secagem da argamassa, aplicava-se sobre as pedras uma camada de dez centímetros de concreto (buscando evitar fissuras entre as pedras).

Estando o concreto seco, as tábuas eram retiradas, seguidas pelos cimbres, finalizando-se a abóbada (vide sistema estrutural).


Sistema Estrutural de uma Catedral Gótica

Estrutura de uma catedral românica

      As catedrais românicas possuíam um sistema estrutural baseado em espessas paredes e abóbadas semicirculares localizadas logo abaixo do telhado.

      Dispostas como indicado na figura, as paredes tinham que ser espessas e com poucas aberturas, pois resistiam tanto aos esforços verticais, quanto aos esforços horizontais gerados pelo vento, abóbadas e telhado.


Vista interna de uma catedral gótica José Bracons.
Martins Fontes. São Paulo, 1992.

De acordo com a finalidade espiritual buscada no estilo gótico, as catedrais deveriam possuir: elevadas alturas, grande luminosidade e uma plena continuidade entre o início de seus pilares e o cume de suas abóbadas.


Esquema dos elementos estruturais Koch, Wilfried.
Martins Fontes. São Paulo, 1994.

Assim, em 1180 na construção da Catedral de Notre Dame, um novo sistema estrutural foi projetado tornando possíveis todos esses requisitos.

Formado por um complexo sistema de abóbadas ogivais (diferentemente das semicirculares românicas, eram pontiagudas, mais flexíveis e de maior adaptação), arcobotantes, esbeltos pilares e contrafortes, a estrutura da catedral gótica venceu elevadas alturas e extensos vãos.




Esquema dos esforços em uma catedral gótica The Builders. Marvels of Engeneering. National Geographic. Washington D.C., 1992.


Estrutura de uma catedral gótica

Como se desejava que as paredes da nave central tivessem pouca espessura e fossem cobertas por vitrais para dar luminosidade à catedral, os esforços horizontais não poderiam ser resistidos por essas paredes.

A solução encontrada foi transferi-los por meio de arcobotantes a grande e pesados contrafortes colocados na periferia da igreja.

Os esforços horizontais provenientes do telhado e das abóbadas eram recebidos pelos arcobotantes (já fora da catedral) e transferidos aos contrafortes, que os descarregavam sobre a fundação.

Desta forma, com os elementos resistentes aos esforços horizontais colocados longe das paredes, estas não precisavam ser baixas e espessas (como nas catedrais românicas), possibilitando a presença de grandes e belos vitrais (busca da grande luminosidade), grande altura e garantindo a plena continuidade da catedral, desde o início de seus pilares até o cume de suas abóbadas.


Exemplos de vitrais Koch, Wilfried.
Martins Fontes, São Paulo, 1994.

Também no “canteiro” da catedral estavam presentes os artesãos especialistas em fazer e juntar pedaços de coloridos e brilhantes vidros para completar os buracos deixados entre as pedras e formar enormes e belos vitrais. Várias cores eram obtidas unindo óxidos de metais e vidro fundido.

O vidro era soprado e trabalhado em forma de cilindro e, após resfriado, cortado, com a ajuda de um instrumento a base de ferro quente, em pequenos pedaços, geralmente menores que a própria palma da mão.

Desta forma, a permanência intacta da maioria das catedrais góticas, sua beleza e grandiosidade atestam o desenvolvido conhecimento de princípios estruturais detidos pelos mestres construtores e, além disso, mostram uma capacidade maior dos mesmos: o ilusionismo, pois até os dias de hoje parecem construções realizadas em outro mundo.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

MAÇONARIA EM CUBA, PORQUE EXISTE E É BEM ATIVA LÁ ?


Pergunta: - POR QUÊ A MAÇONARIA, que trabalha em prol da LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE, e sempre alerta e combativa contra a tirania e seus tiranos, É UMA REALIDADE EM CUBA, UM PAÍS COMUNISTA, dominado por uma ditadura?

Resposta: - PORQUE, FIDEL CASTRO ficou VIVO, GRAÇAS À MAÇONARIA.

Sabemos que a Maçonaria não foi autorizada a funcionar nos países totalitários, tanto da direita como da esquerda. Nem na Alemanha nazista, nem na Itália fascista e muito menos nos países comunistas, Rússia, China e satélites Aqui no Brasil, com o advento do assim chamado Estado Novo(10.11.1937), pela ação do integralismo e, sobretudo, de Gustavo Barroso, a tendência de Getúlio Vargas era, também, pelo seu fechamento, evitado pelo seu irmão maçom, General Protásio Vargas.

Em Cuba funcionam, normalmente, 324 Lojas com 19.892 membros (1986) e somente na sua capital, Havana, nada menos que 135, coordenadas pela 'Gran Logia de Cuba' e mantém relações com todas as Grandes Lojas regulares do Mundo e é membro da Confederação Maçônica Interamericana.

O próprio ditador, Fidel Castro, em sua célebre entrevista a Frei Betto, conta que não morreu, porque estava acompanhado de um maçom. Diz ele que, em sua retirada depois do fracasso do ataque ao quartel de Moncada, em março de 1952, com seis ou sete companheiros em fuga, queriam chegar à Sierra Maestra e organizar de novo a luta. Aproximamo-nos de uma casa, falamos com um cidadão e foi ele quem arranjou o encontro daquele grupo com o Arcebispo.

Eu- diz Fidel Castro- e os dois que estavam comigo nos separamos deles, nos afastamos uns dois quilômetros daquele lugar, no propósito de, à noite, pegar a estrada que conduzia à baia de Santiago de Cuba. Porém, o exército soube, talvez tenha interceptado a ligação telefônica entre aquela família e o Arcebispo. Bem cedo, antes de amanhecer, patrulhas ocupavam toda aquela região, inclusive as proximidades da estrada.

Estávamos a dois quilômetros e cometemos um erro, que até então não havíamos cometido em todos aqueles dias. Um pouco cansados, tínhamos que dormir nas piores condições, nas ladeiras das montanhas, sem saco de dormir ou coisa parecida, e, justamente naquela noite, encontramos uma pequena cabana, de quatro metros de comprimento por três de largura, o que aqui chamam VARA EM TIERRA, lugar onde se guarda material de trabalho. Para proteger-nos da neblina, da umidade e do frio, decidimos ficar ali até amanhecer.

De manhã, antes de despertarmos, uma patrulha de soldados entra na cabana e nos acorda com os fuzis sobre o peito. Ser despertado pelos fuzis do inimigo foi conseqüência de um erro que jamais deveríamos ter cometido... ninguém montou guarda... Os três dormimos.


Estávamos um pouco confiantes, pois havia uma semana que, apesar de rastrearem toda a região, continuávamos furando o cerco... Do jeito que aqueles indivíduos andavam sedentos de sangue, teriam nos assassinados de cara. Porém, ocorreu uma incrível casualidade: havia um Tenente negro, chamado Sarría, que não era assassino e tinha certa autoridade e liderança.

Os soldados estavam excitados, nos amarraram, apontaram os fuzis contra nós e queriam matar-nos. Pediram nossa identidade e demos outro nome. Vi logo que não me conheceram... Estavam sedentos para matar-nos. Se tivéssemos nos identificados, teriam disparado sem apelação.

Começamos a discutir com eles... A gente se dava por morto; eu não imaginava a mais remota possibilidade de sobreviver, continua dizendo Fidel Castro. Durante a discussão com eles, o tenente interveio e disse: 'Não disparem'. Impôs-se aos soldados, enquanto repetia em voz baixa: 'Não disparem, as idéias não se matam'. Três vezes aquele homem repetiu: 'As idéias não se matam'.


Por oportuna coincidência , um dos nossos companheiros era maçom. Trata-se de Oscar Alcalde, que está vivo e hoje preside o Banco da Poupança. Financista, em Cuba. Era ele quem controlava os fundos do nosso Movimento Revolucionário. Percebeu detalhes de formação maçônica nas atitudes e palavras do TENENTE e decidiu identificar-se com SINAL SECRETO da MAÇONARIA , PARA O TENENTE. Isso surte então efeito imediato. Se sabia que havia muitos militares maçons nas tropas combatentes. Bem amarrados, nos levantaram e nos levaram.

Impressionara-me a atitude daquele Tenente, e, após caminharmos um pouco, chamei-o e disse:

_  'Vi como o senhor procedeu e não quero enganá-lo, eu sou o lider guerrilheiro Fidel Castro'.

Ele me adverte discretamente:

_ 'Não diga nada a ninguém'.

Avançamos um pouco mais e logo, a uns setecentos ou oitocentos metros dali, se houve tiros. Os soldados, muitos nervosos, estendem-se sobre o chão... Quando vejo eles se deitaram, pensei que tudo era uma artimanha para atirarem em nós e permaneço em pé, parado. O Tenente se aproximou e eu lhe disse:

_ 'Não me deito, se querem atirar têm que matar-nos de pé'.

O Tenente comenta:

_ 'Vocês são muito corajosos, rapazes'...

Fomos todos reunidos e colocados num caminhão. O Tenente me pôs na frente, entre ele e o motorista. Mais adiante surgiu um Comandante, que se chamava Pérez Chaumont, um dos principais assassinos, e responsável pela morte de muita gente. Ordenou que nos levassem ao quartel. O Tenente discutiu com ele e não o obedeceu. Levou-nos à Casa de Detenção de Santiago de Cuba, onde ficamos à disposição da Justiça Civil.

Se tivéssemos chegado ao quartel, teriam feito picadinho de todos nós. Toda a população de Santiago de Cuba fica sabendo que fomos presos e que nos encontramos ali. Começa forte pressão para salvar-nos a vida...

Alguns foram salvos porque se apresentaram através do Arcebispo. Mas, no caso do nosso grupo, o fator determinante foi o Tenente e Maçom. Antes do triunfo o denunciaram como responsável pela nossa sobrevivência. Culparam-no de não nos ter assassinado... Naquele momento, o Tenente foi afastado do Exército.


Quando triunfou a Revolução, o incorporamos ao novo Exército, com o Grau de Capitão... Era um homem honrado, com acentuada disposição à justiça. O curioso é que, como reflexo de seu pensamento, nos momentos mais críticos o ouço repetir, em voz baixa, as instruções aos soldados para que não disparem, porque ' as idéias não se matam Liberdade -Igualdade e Fraternidade. 'Os homens virtuosos procuram pela maçonaria, a maçonaria os aperfeiçoa' ' 
                                                      
  ‘ Para um homem ser bom não precisa ser maçom. Mas para ser maçom tem que ser bom. É assim que pensamos e agimos na maçonaria’.                        

'LOUVADA SEJA A MAÇONARIA QUE NOS FEZ IRMÃOS'

fonte: Primeiraedição.com.br