quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Saudação Maçônica à Bandeira do Brasil

"Bandeira do Brasil, eu te saúdo!
Em nome desta Assembléia de Homens livres, aqui reunida,
Eu te saúdo !

Eu te saúdo pelo que fostes em nosso passado,
Pelo o que tu és
E pelo que representas para nós!

Bandeira do Brasil, nós, os Maçons,
Temos te seguido os passos através da História, destes tempos imomeriais,

Tu tinhas, em outras épocas, outras cores e outros emblemas,
Porém teu simbolismo permaneceu imutável.

Desde a longínqua data em que o Índio Poti,
Felipe Camarão,
E o negro Henrique Dias, te empunharam,
E te levaram para os campos de batalha

Tabocas, Taborda, Guararapes,
Para lutar contra o estrangeiro invasor,
Tu deixaste de ser a Bandeira de Portugal,
Que também era estrangeira,

Para ser a BANDEIRA DO BRASIL!

Bandeira do Brasil!
Tu estavas com Felipe dos Santos, na revolta de Vila Rica,
Em 1720.

Tu estavas com os Inconfidentes de Minas,
E subistes ao patíbulo com TIRADENTES,
Em 1792.

Tu estavas no Areópago de Itambé, da Revolução Pernambucana,
Em 1817.

E fostes fuzilada com Padre Roma e Padre Miguelinho.
Tu estavas às margens do riacho Ipiranga, com D. Pedro I,
No Grito da INDEPENDÊNCIA,
Em 1822.

Tu fostes arcabuzada com Frei Caneca,
Em 1825, após a Confederação do Equador,

Quando os dois grandes Maçons, CAXIAS E CANABARRO,
Assinaram o Tratado de Poncho Verde,
Pondo fim à Guerra do Farroupilhas.

Tu tremulavas bem junto às Tendas dos dois HERÓIS !
Tu acompanhastes, altaneira, as nossas tropas,
Na Guerra do Paraguai !

Bandeira do Brasil !
Só uma vez, nós te condenamos.

E te condenamos com veemência,
Na voz e nos versos do maior Poeta que o Brasil já teve,
ANTÔNIO DE CASTRO ALVES !

Por essa época, Bandeira do Brasil,
Tu tremulavas impune, na Gávea dos Navios Negreiros,

Mas, Castro Alves, cheio daquela Ira Sagrada,
Que todos os Maçons devem sentir,
Ao te ver ultrajada,

Apostrofou, a ti, e aos donos da Pátria, de então
Com estas diatribes terríveis, que ainda hoje ressoam,
Aos ouvidos da Grande Nação :

- " Existe um povo que a BANDEIRA empresta,
Para cobrir tanta infâmia e covardia,
e deixa-a transformar-se nesta festa,
em manto impuro de bacante fria.

Meu Deus, mas que Bandeira é esta,
Que imprudente, na Gávea tripudia ?
Silêncio Musa, chorai tanto,
Que o Pavilhão se lave no teu pranto !

Auri-Verde Pendão da minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a Luz do Sol encerra,
E as promessas divinas de Esperança !

Tu, que da Liberdade e, após a Guerra,
Fostes hasteada, dos Heróis, na lança,
Antes te houvessem roto, na batalha,
Que servires um Povo de mortalha.

Andrada, arranca esse Pendão dos ares ! - "

BANDEIRA DO BRASIL

Depois tu te reabilitastes.
Tu reabilitastes na voz patética do Maçom Negro,
José do Patrocínio, quando bradou :
"Meu Deus, já não existem mais escravos em minha Pátria !"

Tu reabilitastes nas montanhas da Itália, lutando pela Democracia,
Na última Grande Guerra Mundial.

E quando um presidente da República, te içou, pela primeira vez,
Num mastro metálico do primeiro poço de Petróleo da Petrobrás,
- O Monteiro Lobato - Nesse dia,
Bandeira do Brasil, tu te lavaste nas Águas Lustrais,
Da nossa Soberania.

E por isso, hoje, quando mais Irmãos,
Transpõem os umbrais deste Templo,
Para junto conosco, reverenciar o teu vulto Sagrado,

 
Eu te saúdo, em meu nome,
Em nome do meu Venerável,
Em nome de todos os Maçons e amigos, aqui reunidos,

EU TE SAÚDO !
EU TE SAÚDO E
BEIJO ! "

Autor : Francisco Assis de Carvalho.
Conhecido entre nós Maçons como Xico Trolha

Dezembro de 2011

A Lâmpada do Átrio


-- Venerável Mestre, peço a palavra!

-- Podeis falar, Irmão Cobridor.

-- Venerável Mestre, Irmão 1º Vigilante, Irmão 2º Vigilante, Irmão etc., etc., etc., etc., etc.,...

-- Irmão Cobridor, podeis falar, por favor!

-- Venerável Mestre; há tempos notei, mais precisamente há um ano, que uma das lâmpadas do Átrio está queimada. Peço a vossa sabedoria que providencie a troca para que as luzes do Átrio não fiquem em desarmonia, tendo uma de suas lâmpadas sem função.

-- Justificável a sua queixa e pedido, meu Irmão, mas, como o Irmão sabe ao Venerável cabe a presidência da Oficina e qualquer coisa que se faça, principalmente, envolvendo custos que onerem os Metais da Loja, a assembléia tem que deliberar a respeito. Para isso concedo a palavra aos Irmãos que queiram se manifestar sobre a proposta do Irmão.

-- Venerável Mestre, peço a palavra!

-- Atenção, meus Irmãos o primeiro Obreiro se manifestará a respeito da proposta do Irmão Cobridor para a troca da lâmpada queimada do Átrio. Podeis falar, Irmão Orador.

-- Venerável Mestre Irmão 1º Vigilante, Irmão 2º Vigilante, Irmão etc., etc., etc., etc., etc.,...

-- Meu Irmão, podeis falar, por favor; meus Irmãos, vamos dispensar daqui em diante as fresc... desculpe, os tratamentos e citações de praxe.

-- Venerável Mestre; a troca de uma lâmpada queimada no mundo profano pode parecer uma coisa simples, mas não é em nossa Sacrossanta Instituição, portanto, Venerável Mestre, peço a vossa sabedoria que nomeie uma comissão especial para apresentar um parecer sobre a substituição da lâmpada do Átrio, considerando; 1º - saber as causas da queima da lâmpada; 2º - como retirar a lâmpada queimada sem perda fluídica que a mesma gerou em toda sua existência; 3º - como instalar a nova lâmpada sem que haja rejeição metafísica pelo desequilíbrio de fótons no ambiente do Átrio; e, finalmente, que haja o máximo cuidado com relação às origens da Lâmpada a ser adquirida.

-- Bem pensado, meu Irmão. O Irmão sempre nos brinda com seus conhecimentos, vamos escolher os membros da comissão com o máximo cuidado e informaremos sobre as suas recomendações.

-- Venerável Mestre, peço a palavra!

-- Ora! Muito bem. Vejo que mais um Irmão se dispõe a colaborar nesta tarefa que engrandecerá o trabalho coletivo desta Oficina. Podeis falar, Irmão Mestre Arquiteto.

-- Venerável Mestre; enalteço os cuidados do Irmão que solicitou a Comissão Especial para a substituição da Lâmpada queimada do Átrio e, ressalvo, que cuidados outros especiais também devemos ter nesta tarefa técnico-mística, a saber: a logística. Temos um Irmão no quadro da Oficina que exerce a profissão de engenheiro eletricista  e que poderá fornecer uma lista completa das ferramentas e outros utensílios, bem como, materiais de consumo necessários a operação e o tipo da escada, uns dos símbolos mais importantes de nossa Ordem.

-- Muito bem, meu Irmão. Com certeza nosso Irmão Engenheiro eletricista aceitará de muito bom grado esta gloriosa oportunidade de colaborar com seus préstimos. Só estou preocupado com esta escada. Pode ser de 33 degraus?

-- Creio que não, Venerável Mestre, é muito longa. Pediremos uma, emprestada, aos Irmãos do Rito Moderno, eles tinham uma escada de sete degraus, agora tem uma de nove; mas, serve.

-- Hummm.. Sei não... Esse Rito é meio estranho.

-- É uma questão de raciocínio Venerável Mestre.

-- Tá bom! Tá bom... Deixa isso prá lá.

-- Venerável Mestre, peço a palavra.

-- Podeis falar, Irmão 1º Vigilante.

-- Venerável Mestre; vejo a grande importância em que está se tornando o evento e, isso exige que sejam  apresentadas Peças e Arquiteturas antes de sua realização. Portanto, solicito aos nossos Irmãos Aprendizes que façam uma pesquisa no Google sobre a iluminação do Templo e suas nuances, influências psicossomáticas e espirituais.

-- Ora, muito bem Irmão 1º Vigilante.  Irmãos Aprendizes; debrucem com todas suas forças para copiar e colar o material pesquisado sobre este magnífico tema apresentado pelo  nosso Irmão 1º Vigilante e, que as Peças de Arquitetura estejam prontas antes da data marcada para a troca da lâmpada do Átrio.

-- Venerável Mestre, peço a palavra.

-- Podeis falar Irmão Mestre de Cerimônias.

-- Venerável mestre, estive certo dia em outra Loja de outra Obediência e notei que havia no Átrio uma lâmpada colorida e se colocássemos uma lâmpada desse tipo...

-- Venerável mestre o Irmão Mestre de Cerimônias está tentando enxertar em nosso Templo uma lâmpada de outro Rito! Isso é um absurdo! Irá macular o nosso sacrossanto Átrio!

-- Calma meu Irmão Past Master. O Irmão Mestre de Cerimônias está com a palavra, deixemo-lo falar com a devida tolerância; podeis falar meu Irmão.

-- Bem... Venerável Mestre, de fato a lâmpada é de outro Rito, mas, é tão bonitinha imaginei que na hora que fizermos aquele quarto de hora de preleções no átrio - que representa o purgatório de nossos pecados, pois como todos dizem, lá deixamos tudo que é coisa ruim antes de entrarmos no Templo, poderemos acender unicamente esta Lâmpada; nela concentraremos todas as nossas paixões e vícios para lá fora as deixarmos.

-- Veja, Irmão Past Master, a sugestão do Irmão Mestre de Cerimônias se justifica. Entraremos no Templo puros e limpos. E, ao sairmos e apagarmos aquela lâmpada, iremos recolher de volta tudo que lá deixamos, percebeu?  Os Irmãos que aprovam que a lâmpada substituta seja... Que cor será a lâmpada, meu Irmão?

-- Vermelha, Venerável Mestre.

-- Os Irmãos que aprovam que a lâmpada substituta seja vermelha, fiquem como estão. Aprovado, meus Irmãos.

-- Venerável Mestre, peço a palavra.

-- Podeis falar Irmão Hospitaleiro.

-- Venerável Mestre; como Vossa Sabedoria disse no início dos debates, sobre a troca da Lâmpada queimada do Átrio, há custos. Sugiro, portanto, que os Irmãos sejam mais bondosos em suas participações no Tronco de Solidariedade, até o dia agendado para a realização do evento para com isto obtermos a verba necessária para a realização do evento. Sabemos que o produto do Tronco é para socorrer as Viúvas e aqueles que batem em nossa porta em busca de auxílio, mas, sabemos também, que sempre há e haverá exceções para outras necessidades que se apresentam importantes como os ágapes,  a aquisição de medalhas, a confecção de diplomas e outros mimos. Por isso nada há de errado em usarmos os metais do Tronco para o evento ora em planejamento.

-- Meus Irmãos; ouvistes as sábias palavras do Irmão Hospitaleiro. Assim, peço aos Amados Irmãos que não colaboram apenas com os costumeiros dois reais, lembrem que dependendo dos recursos obtidos faremos uma plaqueta para colocar no Átrio com os nomes de todos aqueles que participaram de memorável ato e, para fique registrado no livro da história da Loja.
(Bateria incessante – Aplausos)

-- (Depois de simular lagrimas e grande pausa para aumentar os aplausos) 

__ Oh... meus Irmãos; não sou merecedor de tamanho louvor. Muito obrigado, falta-me as palavras... sniff.. (Mais aplausos)

Autor desconhecido!

2011

sábado, 17 de dezembro de 2011

Maçons - Que gente é essa?




Maçons - Que gente é essa?

É gente de conteúdo interno que transcende a compreensão medíocre, simplória. É gente que tem idealismo na alma e no coração, que traz nos olhos a luz do amanhecer e a serenidade do acaso.

Que tem os dois pés no chão da realidade. É gente que ri, chora, se emociona com uma simples carta, um telefonema, uma canção suave, um bom filme, um bom livro, um gesto de carinho, um abraço, um afago.

É gente que ama e curte saudades, gosta de amigos, cultiva flores, ama os animais, admira paisagens, escuta o som dos ventos. É gente que tem tempo para sorrir bondade, semear perdão, repartir ternura, compartilhar vivências e dar espaço para as emoções dentro de si.

É gente que gosta de fazer as coisas que gosta, sem fugir de compromissos difíceis e inadiáveis, por mais desgastantes que sejam.

Gente que semeia, colhe, orienta, se entende, aconselha, busca a verdade e quer sempre aprender, mesmo que seja de uma criança, de um pobre, de um analfabeto.

É gente muito estranha os Maçons!

Gente de coração desarmado, sem ódio, sem preconceitos baratos ou picuinhas. Gente que fala com plantas e bichos, dança na chuva e alegra-se com o sol.

Eh!! Gente estranha esses Maçons.

Falam de amor com os olhos iluminados como par de lua cheia. Gente que erra e reconhece. Gente que ao cair, se levanta, com a mesma energia das grandes marés, que vão e voltam.

Apanha e assimila os golpes, tirando lições dos erros e fazendo redentores suas lágrimas e sofrimentos. Amam como missão sagrada e distribuem amor com a mesma serenidade que distribuem pão.

Coragem é sinônimo de vida, seguem em busca dos seus sonhos, independentes das agruras do caminho. Essa gente, vê o passado como referencial, o presente como luz e o futuro como meta.

São estranhos os Maçons!

Cultuam e estudam as Sagradas Tradições como formas de perpetuar as leis que regem o Universo, passam de geração para geração a fonte renovadora da sabedoria milenar.

São fortes e valentes, e ao mesmo tempo humildes e serenos.
Com a mesma habilidade que manuseiam livros codificados de sabedoria, o fazem com panelas, objetos e outros artefatos.

São aventureiros e ao mesmo tempo criam raízes, inventam o que precisa ser inventado. Fazem suas próprias histórias.

Falam de generosidade em exercício constante.
Ajudam os necessitados com sigilo e discrição.
Conduzem a prática desinteressada  e  oculta da caridade e do amor ao próximo.

Interessante essa gente, esses Maçons!

Obrigam-se nas tarefas, de estudar a Arte Real, de evoluir, de amar e dividir.

Partilham da mesa do rei e de um amigo menos abastado com mesmo sorriso enigmático de prazer e sabedoria que iluminava a face de seus ancestrais.

Degustam um pão feito em casa, com a mesma satisfação que o fazem em um banquete cinco estrelas. Amam em esteiras e em grandes suítes, desde que estejam felizes, pois ser feliz e levar felicidade, é sempre a única condição dessa gente estranha.

É gente que compra briga pela criança abandonada, pelo velho carente, pelo homem miserável, pela falta de respeito humano.

É gente que fica horas olhando as estrelas, tentando decifrar seus mistérios, e sempre conseguem!

Agradecem pelas oportunidades que a vida lhes dá.

 Aliás, essa gente estranha agradece por tudo, até pela dor, que tratam como experiência.

Reúnem-se em Escolas Iniciáticas que chamam de Lojas, para mutuamente se bastarem, se protegerem, se resguardarem, para resgatar valores, e estudar muito.

Interessantes são os Maçons!!!

Mas interessante mesmo é a fé que os mantêm vivificados ao longo de tantos anos!

Abençoada essa estranha gente!

É dessa estranha gente, que o Grande Arquiteto do Universo precisa para o terceiro milênio.

         E é para  essa estranha gente, de que eu Weber Varrasquim sou parte, que desejo DE TODO MEU CORAÇÃO, os mais sinceros votos de um ótimo Natal e um Excelente Ano Novo, repleto de Conquistas e Realizações.


Dezembro de 2011

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

D. Pedro I - Irmão Guatimozin


No ano de 1821, funcionava no Rio de Janeiro, a Loja Maçônica Comércio e Artes, da qual eram membros vários homens ilustres ligados à corte, como os Maçons Cônego Januário da Cunha Barbosa, Joaquim Gonçalves Ledo e José Clemente Pereira entre outros.

É importante ressaltar que na metrópole, nas lojas “Comércio e Artes”, “Esperança de Niterói” e “União e Tranqüilidade”, nenhuma pessoa era iniciada, sem que fossem conhecidas suas opiniões sobre a Independência do Brasil. Ademais, todo neófito jurava não só defendê-la como também promovê-la.

José Castellani afirma:

“A obra máxima da Maçonaria brasileira e a única de que ela participou de fato, como Instituição, foi a Independência do Brasil, em 1822 no mesmo ano em que os Maçons brasileiros criavam a primeira Obediência nacional, o Grande Oriente Brasílico”.

É claro que caracteriza a ação maçônica nacional e sua afirmação não é excludente em identificar uma ação regionalizada desenvolvida por Maçons gaúchos e outros até de outra nacionalidade no episódio histórico conhecido como “Revolução Farroupilha”.

Quanto ao episódio da independência, há que compreender que a independência política do país não foi obra exclusiva dos Maçons, já que D. João VI ao elevar o Brasil à categoria de Reino Unido ao de Portugal e Algarves em 1815, separou de fato o Brasil de Portugal dando o primeiro e decisivo passo para a sua independência. Em 1821, extinguiu o reinado do Brasil e determinou o regresso de D. Pedro com toda a família real para Portugal.

A estreita comunicação entre D. Pedro e D. João VI, em cartas, demonstra que os fatos que transcorriam eram do conhecimento e concordância de D. João VI.

Iniciação de Dom Pedro

A iniciação de D. Pedro contribuiu fortemente para o processo de emancipação brasileira e isto interessava à Maçonaria como também interessava a D. Pedro estar apoiado pelos Maçons, já que formavam à época uma forte corrente política.

Após terem obtido a adesão dos irmãos de São Paulo, Minas Gerais e Bahia, aqueles maçons resolveram fazer um apelo a D. Pedro para que permanecesse no Brasil e que culminou, como se sabe, com a celebre frase:

“como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto, diga ao povo que fico”.

Entretanto, não parou ai os trabalhos dos maçons. Teve início, logo em seguida, um movimento coordenado entre os irmãos de outras províncias brasileiras objetivando promover a Independência do Brasil.

Em 09 de janeiro de 1822, o conhecido episódio do “Fico” teve a inspiração e liderança dos Maçons José Joaquim da Rocha e José Clemente Pereira. “O Príncipe Regente recebeu três documentos feitos sob inspiração e liderança maçônica rogando por sua permanência no Brasil em descumprimento dos Decretos nº 124 e 125 das Cortes Portuguesas.

O documento paulista foi redigido por José Bonifácio de Andrada e Silva, o documento dos fluminenses foi redigido pelo Frei Francisco de Santa Tereza de Jesus Sampaio, orador da Loja “Comércio e Artes” e o documento dos mineiros foi liderado por Pedro Dias Paes Leme. No Convento “da Ajuda, na cela do Frei Sampaio reuniam-se os líderes do movimento”.

Este fato pitoresco de Maçons, de reunirem-se em segredo num Convento tem conotação com as reuniões que hoje são realizadas nas Lojas Maçônicas, guardadas as devidas proporções.

Decidida a questão do “Fico”, acentua-se o processo de discussão e sob a liderança do Maçom Joaquim Gonçalves Ledo a Maçonaria decide, por proposta do brigadeiro Domingos Alves Branco Muniz Barreto, outorgar a D. Pedro o título de “Defensor Perpétuo do Brasil”.


Tão logo foi fundado o Grande Oriente Brasílico José Bonifácio de Andrada e Silva foi escolhido como Grão Mestre e Joaquim Gonçalves Ledo como Primeiro Grande Vigilante. Havia, no entanto uma luta ideológica entre os Grupos de Bonifácio e de Ledo.
José Bonifácio de Andrada e Silva

ATA DA INICIAÇÃO DE DOM PEDRO I NA MAÇONARIA

D. Pedro foi iniciado na Loja “Comércio e Artes” no dia 02 de agosto de 1822 adotando o nome histórico de Guatimozin. No dia 05 de agosto, ou seja, três dias depois se tornava Mestre Maçon.



     Antonio de Menezes Vasconcelos Drumond, voltando de missão maçônica nas províncias de Pernambuco e Bahia, no final de agosto de 1822 relata em suas “Memórias”:

“José Bonifácio havia também naquelle dia ou na véspera, recebido novas de Lisboa; e juntas estas com aquelas que eu trazia (da Bahia) julgava conveniente acabar com os paliativos e proclamar a independência. Fosse esta a causa isolada ou cumulativa com os seus desejos de ser a independência proclamada na sua província, o caso é que elle desde logo entendeu que se não devia adiar para mais tarde este ato. O príncipe já estava em S. Paulo e se a occasião não fosse aproveitada quem sabe se outra se poderia proporcionar tão cedo”.

O relato segue:

“… No Conselho decidiu-se proclamar a independência. Enquanto o Conselho trabalhava, já Paulo Bregaro estava na varanda prompto a partir em toda diligencia para levar os despachos ao príncipe regente. José Bonifácio ao sair lhe disse: – Se não arrebentar uma dúzia de cavalos no caminho, nunca mais será correio; veja que faz.”

Estes episódios da vida política brasileira envolveram além de Maçons outros cidadãos, lideranças conscientes de seu papel que buscaram pelo diálogo ou pelo combate a defesa de direitos fundamentais de liberdade. A motivação destes homens, organizada em Loja ou não sempre foi a de construir uma sociedade mais justa e mais igual. A têmpera de seu caráter como observamos foi forjada na prática de procedimentos maçônicos no exercício da Arte Real.

A autonomia política e econômica de uma Nação não se completa com um movimento independentista. É um processo longo que exige a participação de toda sua sociedade em muitas gerações.

Dezembro de 2011