O Rito Escocês que quase foi extinto
Pois é exatamente essa a história do Rito Escocês Primitivo,
praticado na Loja "Bonne Amitié" em Namur, Bélgica.
Tudo começou em 1763, quando um capitão escocês chamado John
Cunninghame fundou a Loja "Parfaite Union", que mais tarde se
tornaria a "Bonne Amitié". O Rito era tão singular que combinava
elementos do que chamavam de “antigo” e “moderno”: velas que se apagam e
acendem, caminhadas simbólicas, cinco pontos de perfeição e até uma recriação
da morte e ressurreição de Hiram Abiff com direito a lençol preto e exclamações
dramáticas...
O que torna esse Rito ainda mais intrigante é seu caráter
profundamente cristão, algo raro na Maçonaria belga do século XIX,
majoritariamente liberal e anticlerical. Nos graus mais altos, havia
incensação, crucifixo, comunhão simbólica com pão e vinho, e uma nítida
inspiração na Missa católica.
O ápice espiritual era o grau de Cavaleiro do Interior do
Templo, herdado da Estrita Observância alemã. O Rito chegou a ter 33 graus,
organizados em uma hierarquia que unia tradições escocesas, francesas e
templárias.
Infelizmente, o Rito Escocês Primitivo não resistiu ao avanço
do racionalismo e do anticlericalismo. Em 1869, sua última menção sumiu das
atas da Loja. Mas sua chama nunca se apagou de vez: renasceu em 1922 como o
"Capítulo do Interior do Templo", que segue ativo até hoje, com quase
200 membros.
Uma verdadeira sobrevivência clandestina de um Rito único,
que une o místico, o cavalheiresco e o sagrado.
Por Pierre Noël
2026 E.·.V.·.

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