segunda-feira, 14 de setembro de 2026

 

O Rito Escocês que quase foi extinto


Você já ouviu falar de um rito que misturava o cristianismo das antigas cerimônias templárias com graus como Cavaleiro do Oriente, Rosa-Cruz e até mesmo o lendário Cavaleiro Kadosch?


Pois é exatamente essa a história do Rito Escocês Primitivo, praticado na Loja "Bonne Amitié" em Namur, Bélgica.

Tudo começou em 1763, quando um capitão escocês chamado John Cunninghame fundou a Loja "Parfaite Union", que mais tarde se tornaria a "Bonne Amitié". O Rito era tão singular que combinava elementos do que chamavam de “antigo” e “moderno”: velas que se apagam e acendem, caminhadas simbólicas, cinco pontos de perfeição e até uma recriação da morte e ressurreição de Hiram Abiff com direito a lençol preto e exclamações dramáticas...

O que torna esse Rito ainda mais intrigante é seu caráter profundamente cristão, algo raro na Maçonaria belga do século XIX, majoritariamente liberal e anticlerical. Nos graus mais altos, havia incensação, crucifixo, comunhão simbólica com pão e vinho, e uma nítida inspiração na Missa católica.

O ápice espiritual era o grau de Cavaleiro do Interior do Templo, herdado da Estrita Observância alemã. O Rito chegou a ter 33 graus, organizados em uma hierarquia que unia tradições escocesas, francesas e templárias.

Infelizmente, o Rito Escocês Primitivo não resistiu ao avanço do racionalismo e do anticlericalismo. Em 1869, sua última menção sumiu das atas da Loja. Mas sua chama nunca se apagou de vez: renasceu em 1922 como o "Capítulo do Interior do Templo", que segue ativo até hoje, com quase 200 membros.

Uma verdadeira sobrevivência clandestina de um Rito único, que une o místico, o cavalheiresco e o sagrado.


Por Pierre Noël

2026 E.·.V.·.

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