domingo, 13 de setembro de 2026

 

A LÍNGUA SAGRADA

 

Imagine uma língua tão misteriosa que escapa aos usos profanos, uma escrita sagrada que não se aprende com livros, mas se sente na intuição e no coração!

 

Chamada de “língua sagrada”, ela distingue-se dos hieróglifos ou alfabetos comuns, manifestando-se através de símbolos vivos que ligam a terra ao céu.

 

Este tesouro esquecido, outrora dominado por iniciados capazes de desvendar os segredos da vida, da morte e da ressurreição – estas questões eternas (“De onde vens? Onde estás? Para onde vais?”) – está hoje em vias de extinção.

 

Apenas 2% dos franceses, e pouco mais no mundo, ainda compreendem os seus mistérios.

 

Porquê?

 

Porque a humanidade se perdeu na letra, esquecendo o espírito.

Mergulhe conosco nesta viagem fascinante, onde o simbolismo e a Maçonaria se cruzam para reavivar uma sabedoria ancestral.

 

_ UMA LÍNGUA VIVA, GRAVADA NA ALMA

 

Esta língua sagrada, longe das escrituras convencionais, fala aos iniciados através de sinais simbólicos – imagens que tocam a alma.

 

Era a chave dos antigos, aqueles que, ao decifrar os seus mistérios, dominavam os ciclos universais.

 

Mas com o tempo, os seus elementos foram alterados e o homem, obcecado pelo literal, perdeu a sua essência.

 

Felizmente, entusiastas vasculham os vestígios de civilizações desaparecidas, reconstituindo essa linguagem muda, rica e evocativa, enraizada no simbolismo.

 

Carl Gustav Jung via nela “imagens primordiais” inatas, enquanto Gaston Bachelard detectava nela “a experiência ancestral da humanidade”.

 

Universal, ela brota do inconsciente coletivo, uma herança que a Maçonaria ainda valoriza.

 

_ SINAIS POR TODA A PARTE: DA ARQUITETURA AOS OBJETOS

 

Esqueça as simples inscrições!

Esta linguagem sagrada vive na arquitetura dos templos, nas esculturas, nas pinturas e até mesmo na disposição dos objetos do quotidiano.

 

Em O Asno de Ouro, de Apuleio, Lucius descobre livros sagrados com caracteres desconhecidos – nós, pontos, espirais – protegidos dos não Maçons.

 

Estes sinais também se expressam nas linhas harmoniosas dos monumentos, onde o fogo, o vento, a água e a terra cantam um hino “ad deum”.

 

R. A. Schwaller de Lubicz (O Templo do Homem, 1957) revela como os templos egípcios codificam estas leis divinas, desde a geometria simples (um ponto para a vida, um círculo para o cosmos) até símbolos complexos como o olho de Rá, encarnação do sol criador.

 

_ UM PARALELO COM A MAÇONARIA: A BUSCA SIMBÓLICA

 

Na Maçonaria, esta linguagem sagrada encontra um eco profundo.

Os iniciados, como os antigos sacerdotes, procuram ligar o “baixo” ao “alto” através de símbolos – o esquadro, o compasso, a coluna.

 

O Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA) utiliza ferramentas geométricas para evocar verdades espirituais, uma herança dos construtores de catedrais.

 

O ponto central do disco solar, adotado na alquimia para o ouro, lembra a coluna maçônica, símbolo solar da ressurreição.

 

Jung, em Psicologia e Alquimia (1944), vê nela uma projeção da alma, enquanto os rituais maçônicos protegem esses arcanos, reservando-os para a meditação dos irmãos – um paralelo com os segredos de Apuleio.

 

_ UMA LINGUAGEM EM QUATRO DIMENSÕES

 

Segundo E. Soldi, esta linguagem sagrada expressa-se em quatro formas:

 

* a escrita (gravuras),

* a decoração (objetos simbólicos),

* a arquitetura (templos codificados)

* a alquimia (transformações).

 

Os elementos cósmicos – luz, água, terra – evoluem em imagens míticas: árvores, animais e, depois, monumentos.

 

O olho de Rá, pupila solar, ilustra esta metamorfose, passando do disco vazio a um símbolo de vida.

 

Na Maçonaria, esta plasticidade inspira as interpretações das colunas J.·. e B.·., provenientes do Templo de Salomão, onde a serpente e o Pilar se unem para ligar o céu e a terra.

 

Christian Belloc MM

 

(Tradução de António Jorge, M M)

2026 E.·.V.·.

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