O Menino dos Maçons

Em outubro de 1878, com apenas quatro anos e meio, o pequeno Walter Cary Wilcox viu-se completamente sozinho no mundo. Ele já havia perdido o pai anos antes em um acidente de navio a vapor e, naquele outono, assistiu à sua mãe falecer durante a avassaladora epidemia de febre amarela que devastou Nova Orleans.
A chave para o seu resgate surgiu
durante o sepultamento de sua mãe, quando organizadores encontraram entre os
pertences da família um relógio de ouro com gravuras maçônicas. O objeto fora
um presente da Loja Garden City nº 14, de Chicago, em agradecimento aos
cuidados prestados pela Sra. Wilcox a um irmão maçom moribundo na Flórida. Ao
identificarem a ligação, os maçons da Louisiana imediatamente assumiram a
proteção do órfão.
No dia 03.10.1878, o garoto foi
colocado em um trem rumo a Oakland, onde vivia sua avó, a Sra. Hannah Cary.
Presa ao seu pescoço estava uma etiqueta de bagagem com uma mensagem confiando
a vida daquela criança aos cuidados de maçons e de completos estranhos ao longo
do caminho. A comoção gerada por sua jornada espalhou-se rapidamente pelo país.
Ao desembarcar em Sacramento, o menino foi carregado nos braços pelo próprio
Grão-Mestre da Califórnia, Nathaniel G. Curtis, enquanto uma multidão comovida
oferecia moedas de ouro para o seu sustento.
A GL da Califórnia adotou o menino oficialmente como seu pupilo, custeando suas despesas e cuidados médicos após ele ter sido acometido por um caso grave de sarampo. Sensibilizados pela situação, diretores da ferrovia Central Pacific garantiram passagens de primeira classe para o menino e sua avó durante seus deslocamentos para tratamento.
Anos depois, o Gr. Tesoureiro da Grande Loja, Nathan Spaulding,
formalmente o adotou e o criou como filho, ajudando-o a superar as constantes
ausências escolares e a se tornar um aluno exemplar.
Na vida adulta, Walter formou-se em
Odontologia, abrindo seu consultório na cidade de Stockton. Foi iniciado na
Maçonaria e alcançou o grau de Mestre Maçom em 11 de maio de 1895, na Loja
Oakland nº 188. Ao lado de sua esposa Jeanette, viveu uma vida próspera e
dedicada ao próximo até o seu falecimento em Fresno, em 1952.
Por Luciano J. A. Urpia
2026
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