DESTAQUES

quinta-feira, 26 de março de 2026

 

DEUS E O MAL

 

Uma das definições de Maçonaria que ouvi é que a Maçonaria é um sistema de moralidade, velado por alegorias e desvendado por símbolos.

 

Não é apenas isso, mas também é isso.

 

O texto que vou seguidamente publicar é uma adaptação minha baseada numa daquelas apresentações de diapositivos que circulam pela Rede, envoltas em música suave e com fundos de paisagens aprazíveis.

 

Mas esta, em particular, é mais do que isso, é uma forma de mostrar que Razão e Fé não são incompatíveis.

 

São alegorias como esta que os maçons utilizam para refletir.

 

A Alegoria vela a moralidade, que é desvendada pelos símbolos. Isto também é Maçonaria.

 

Deus e o Mal

 

Um professor universitário desafiou os seus alunos com esta pergunta:

 

– Deus criou tudo o que existe?

 

Um aluno respondeu, afoitamente:

 

– Sim, Ele tudo criou.

 

– Tem a certeza que Deus criou tudo? – insistiu o professor.

 

– Sim senhor! – respondeu o jovem.

 

O professor, então, concluiu:

 

– Se Deus criou tudo, então Deus criou também o Mal, pois o Mal existe.

E, assumindo que nós nos revelamos em nossas obras, então Deus é mau…

 

O jovem ficou calado em face de tal resposta e o professor gozava mais um triunfo da sua Lógica, que demonstrava mais uma vez que a Fé era um mito.

 

Então, outro estudante levantou a mão e perguntou:

 

– Posso fazer uma pergunta, professor?

 

– Claro que sim! – respondeu este.

 

Então o segundo jovem perguntou:

 

– Professor, existe o frio?

 

– Que pergunta é essa?

Claro que sim!

Ou, por acaso, nunca sentiu frio?

 

O jovem respondeu: – Na realidade, professor, o frio não existe!

Segundo as leis da Física, o que consideramos frio, na realidade é a ausência de calor.

Todo o corpo ou objeto é susceptível de estudo, quando possui ou transmite energia.

O calor é que faz com que este corpo tenha ou transmita energia.

O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe realmente.

Nós criámos essa definição para descrever o que sentimos quando nos falta o calor.

 

E o jovem prosseguiu: – Mas permita-me ainda uma outra pergunta.

 

E a escuridão, existe?

 

O professor, intrigado, respondeu: – Existe, claro que existe.

 

O aluno retorquiu: Está de novo errado, professor, a escuridão também não existe.

A escuridão, na realidade, é apenas a ausência de luz.

A luz pode ser estudada, a escuridão, não.

Até existe o prisma de Nichols, para decompor a luz branca nas várias cores de que a mesma é composta, com os seus diferentes comprimentos de onda.

A escuridão, não.

Um simples raio de luz atravessa as trevas e ilumina a superfície onde termina.

Como se pode saber quão escuro está um espaço determinado?

Com base na quantidade de luz presente nesse espaço, não é assim?

Escuridão é, pois, apenas uma definição que o Homem desenvolveu para descrever o que acontece quando não há luz!

 

Finalmente, o jovem perguntou. – Diga-me então agora, professor, ainda pensa que o Mal existe?

 

O professor respondeu, ainda insistindo: – Claro que sim, claro que existe, bem vemos os crimes e a violência em todo o Mundo, tudo isso é o Mal!

 

Retorquiu então o estudante: O Mal não existe, senhor.

Pelo menos, não existe por si mesmo.

O Mal é simplesmente a ausência de Deus, tal como o frio é a ausência de calor e a escuridão a ausência de luz.

O Mal é uma definição que o Homem criou para descrever essa ausência de Deus!

Deus não criou o Mal.

O Mal não é como a Fé, ou como o Amor, que existem, como existem o calor e a luz.

O Mal é o resultado de a Humanidade não ter Deus presente em seus corações.

É dessa ausência que surge o Mal, como o frio surge da ausência de calor e a escuridão da falta de luz.

 

Pela primeira vez, o professor compreendeu que a Razão e a Lógica não são antagónicas da Fé e que aquelas, sabiamente aplicadas, afinal justificam esta.

 

E assim se provou que Deus não criou o Mal e também que a existência do Bem prova a existência de Deus, como o Calor prova haver energia e a Luz prova existir a cor.

 

Colab: Ir.·. Weber Varrasquim

segunda-feira, 23 de março de 2026

Marquês de Tamandaré

 


    Joaquim Marques Lisboa, o eterno Marquês de Tamandaré, patrono da Marinha do Brasil e um

 dos maiores símbolos de honra e lealdade da História nacional.



    Nascido ainda no período joanino, Tamandaré atravessou quase todo o século XIX servindo ao

 Império com fidelidade inabalável. Sob o reinado de Dom Pedro I e, sobretudo, de Dom Pedro II,

 dedicou sua vida à defesa da unidade territorial, da legalidade e da soberania do Brasil.



    Foi protagonista em momentos decisivos, como nas lutas do Prata e na Guerra do Paraguai,

 quando a Marinha Imperial desempenhou papel fundamental para garantir a vitória das forças

 aliadas. Sua coragem no mar, sua disciplina e seu espírito de comando fizeram dele uma

 referência para gerações de marinheiros.


    Tamandaré não foi apenas um militar brilhante; foi um homem de princípios. Monarquista

 convicto, compreendia a Coroa como elemento de estabilidade, honra e continuidade

 institucional. Sua  trajetória confunde-se com o próprio ideal de Brasil Império: ordem, dever, hierarquia e patriotismo.


    Ao falecer, em 20 de março de 1897, já sob a República, deixou como legado uma vida inteira de

 serviços prestados à Pátria. Sua memória permanece viva não apenas nos livros, mas no espírito

 da Marinha e na tradição histórica brasileira.



    Relembrar Tamandaré é reafirmar o valor da lealdade, da coragem e do compromisso com a

 Nação. É  reconhecer que o Brasil foi construído também por homens que fizeram do dever sua

 maior glória.


Honra ao Marquês de Tamandaré. Honra à memória do Império.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Rafael - O segundo Pai de D. Pedro II




 
Rafael - O segundo Pai de D. Pedro II

     Ao deixar o país, o imperador Pedro I selecionou três pessoas (José Bonifácio, “Dadama” Condessa de Belmonte e Rafael) para cuidarem de seu filho e das filhas remanescentes, uma das pessoas escolhidas foi Rafael, um veterano negro da Guerra da Cisplatina.

    Rafael era um empregado do paço de São Cristóvão (não era escravo) em quem Pedro I possuía profunda confiança e lealdade, pedindo que olhasse por seu filho, um olhar mais carinhoso e paternal — pedido que levaria a termo pelo resto de sua vida.

Rafael, o Anjo Negro de Pedro II.

    Rafael, negro veterano da Guerra da Cisplatina, foi encarregado de cuidar de Dom Pedro II, então de tenríssima idade pelo seu pai o Imperador Dom Pedro I, quando este regressou a Portugal em 1831.

    Rafael, foi mandado vir em 1831 do Sul, Pedro I conhecia-o bem. Foi um protetor incansável e extremamente abnegado de Pedro II ainda menino.
    Dormia no mesmo quarto, evitava que o Imperador chorasse ou se assustasse “com medo das almas de outro mundo” e outras fantasias tão próprias da solidão, em que prevaleciam estudo áridos, religião, serões insípidos e jogos de mesa silenciosamente praticados – era a educação principesca!

    Nisso relata-nos Benedito Freitas:

    “Incumbido da guarda e proteção de Dom Pedro II ainda em tenra idade (5 anos), foi de uma dedicação tal que, até determinadas atribuições das Damas, ele as executava com desembaraço e plena eficiência.

    Dava-lhe os banhos habituais tendo todo o cuidado com a temperatura da água, bem morna sem ser quente, mudava-lhe a roupa e cobria na cama, cabeça de fora, a bela criança pedia ao seu Anjo Negro para contar histórias e outras coisas em que era fértil seu leal servidor.

    Certo dia ainda na época que Dona Leopoldina era viva, ficou enternecida ao contemplar Rafael aquecendo a mamadeira do Menino-Imperador.

    Quando Dom Pedro II não sabia a lição, corria para Rafael pedindo-lhe para o esconder, embora fosse condicionado sempre, que seria a “última vez” ….Mais tarde Dom Pedro II ensinou Rafael a ler, escrever, falar francês e inglês.

    Por muito tempo Rafael foi 1º Criado Particular do Imperador e em todas as viagens, mesmo ao estrangeiro, o acompanhou de perto. A única presença não masculina de tanta cumplicidade era a Condessa de Belmonte, chamada sempre carinhosamente de “Dadama”.

    A figura quase lendária de Rafael é amplamente descrita no belo livro de Múcio Teixeira, que foi comensal do Imperador por mais de trinta anos, “O Negro da Quinta Imperial”.

    Rafael contava com 98 anos quando Dom Pedro II foi deposto. O “Anjo Negro” do Imperador ignorava o doloroso episódio da prisão do seu menino.

    Múcio conta a cena da comunicação ao leal macróbio, nas seguintes linhas: “Manhã sombria.
Uma chuva miúda caíra pela madrugada do dia 16 de novembro de 1889.

    As vastas alamedas da Quinta Imperial estavam desertas….Rafael, mal raiara a aurora, abandonou seus aposentos, nos baixos do torreão sul, e, muito tremulo, amparado por um rijo bastão, deu início ao seu passeio habitual.

    Velho e cansado, passara o dia anterior preso ao leito, ignorando que a República havia sido “proclamada” no Brasil. Vagarosamente caminhava, ouvindo o gorjeio dos pássaros e contemplando, com olhar nostálgico, os lagos sonolentos.

    Fitava também os bosques sombrios e admirava a Natureza exuberante. Quantas daquelas árvores gigantescas ele vira nascer, florir e envelhecer!

    Caminhava e meditava, olhando também para o passado, para a sua longínqua mocidade! Quantos sonhos desfeitos!

    “Como é triste envelhecer!” – murmurava o velho pajem imperial.

    Ao chegar ao portão da Coroa, já ofegante, observou com espanto dois soldados que davam “vivas a república”! Sempre meditando, lentamente regressou ao Paço.

    Ao aproximar-se do solitário Palácio Imperial, viu o bibliotecário Raposo muito agitado, com cabelos revoltos, andando de um lado para outro lado…Rafael, muito cansado, curvado e tremulo, sempre amparado pelo seu bastão, dirigiu-se ao bibliotecário do Paço e interrogou-lhe:

    “Seu Raposo, você enlouqueceu?”

    Parando diante do Rafael, o Raposo, como louco, bradou:

    Rafael, tu não sabes que ontem foi proclamada a República e que teu “menino” está preso no Paço da Cidade??”.

    Rafael, atordoado, deixou cair o forte bastão de ouro e jacarandá, no qual a vinte anos se apoiava seu débil corpo; curvado, ergueu-se, cresceu… O seu olhar morto e nostálgico, transfigurou-se, como que iluminado por clarões estranhos.

    Levantou o braço direito para o céu e exclamou com voz comovente e sonora:

    “Que a Maldição de Deus caia sobre a cabeça dos algozes do meu Menino!”

    E em seguida rolou por terra: estava morto.” No mesmo momento em que o navio Alagoas cruzava a baía de Guanabara com seu menino e toda família imperial ...

Ele faleceu aos seus 99 anos em um simples desmaio.

Colab: Weber Varrasquim


LOWTONS - Saiba mais

 

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SUPREMO CONSELHO UNIVERSAL

 DA ORDEM DOS LOWTONS


A denominação Lowton tem uma origem muito antiga e significa "jovem lobo", designação esta que se dava ao filho de um iniciado, que respondia por "chacal" ou "lobo", já que a máscara que um iniciado usava, mesmo em público, tinha a forma simbólica deste animal.

 

Dá-se o nome de Lowton ao filho do Maçom, com idade entre sete e quatorze anos, adotado por uma Loja Maçônica, a qual contrai para com ele a obrigação de servir-lhe de tutor e guia na vida social, de acordo com um ritual especial denominado "Adoção de Lowtons". Em razão desse venerável empenho, as Lojas não devem conceder esta adoção senão com prudência.

A IMPORTÂNCIA DA ADOÇÃO DE LOWTONS

 

Instituição essencialmente maçônica, a adoção de lowtons, embora não se possa precisar, exatamente, o seu início, é muito antiga. Tem, pelo menos, mais de 250 anos, o que se pode aquilatar por homens de destaque na História mundial, os quais foram adotados, como é o caso, por exemplo, de George Washington, líder da independência norte-americana, que, nascido em 1732, foi lowton, tendo, por isso, sido iniciado aos 20 anos de idade, a 4 de novembro de 1752, na Loja Fredericksburg Nº 4, da nascente Maçonaria norte-americana, iniciada em 1730, em Massachussetts.

 

Essa prática consiste em colocar o filho do maçom, ainda na infância, sob a proteção e a orientação de uma Loja, que assume o compromisso de ampara-lo e prepará-lo para a vida adulta, dentro dos princípios morais, éticos e libertários da Maçonaria encaminhando-o logo após a adoção a uma oficina de Lowtons, porém, jovens que não tem pais maçons podem ser introduzido na Ordem dos Lowtons através de um convite feito por outro Lowton e desde que aceito por todos.

 

O que é bonito na teoria, porém, é desmentido pela prática, pelo menos em nosso meio, pois a adoção de lowtons tem sido criminosamente abandonada pelas Lojas, por comodismo ou por desconhecimento, ou, ainda, pelo atrativo de outras instituições mais exóticas, mais mundanas e, acima de tudo, mais “marqueteiras”, para usar um neologismo muito atual, derivado de “marketing”, significando o que permite mais promoção e espaço na mídia.

 

Para piorar o quadro, as poucas Lojas que, nos últimos anos, ainda têm promovido a adoção, têm, depois de uma belíssima cerimônia, deixado os lowtons largados à própria sorte, marginalizados e relegados ao limbo das coisas inúteis. Esqueceram-se, talvez, as Lojas – com raras exceções, que confirmam a regra – que dar assistência cultural, moral e espiritual ao lowton, é preparar o maçom completo do futuro.

 

Diante desse vácuo, vigente há mais de 30 anos e que acabaria tendo que ser ocupado, assistiu-se à importação da Ordem de Molay, entidade para maçônica norte-americana, fundada em março de 1919, em Kansas City, pelo maçom Frank Sherman Land.

 

Ela foi introduzida, no Brasil, em 1980, com a criação do “Capítulo Rio de Janeiro”, sob a liderança do Ir.·. Alberto Mansur, Grande Mestre do Supremo Conselho da Ordem de Molay.

 

Graças à origem maçônica de seu introdutor, criou-se o conceito de que a Ordem de Molay é ligada às Grandes Lojas estaduais brasileiras, o que é absolutamente falso, já que uma entidade para maçônica não tem vínculo com Obediências e, além de tudo, quem mais tem prestigiado e aproveitado a Ordem, têm sido os Grandes Orientes independentes, surgidos da dissidência ocorrida no Grande Oriente do Brasil, em 1973.

 

Fruto dessa falsa ideia, ou não, ocorreu, em 1983, a aprovação, pela Soberana Assembleia Federal Legislativa do Grande Oriente do Brasil, por proposta do Ir.·. Adison do Amaral, da Lei Nº 002, sancionada pelo Ir.·. Mathatias Bussinger, Grão-Mestre Adjunto, no exercício do Grão-Mestrado Geral, a qual criava a Ação Para-maçônica Juvenil - APJ, cuja intenção é promover a educação integral e integrada de crianças e adolescentes de ambos os sexos, auxiliando na sua formação física e intelectual.

 

Nenhum maçom, em sã consciência, pode ser contrário a essas entidades, pois as finalidades de ambas representam tudo aquilo que está consubstanciado na doutrina maçônica.

 

Mas, e os Lowtons? Como fica a adoção de lowtons? Nesse ponto, as instituições citadas têm sido deletérias, aparentemente, porque estão dando atenção a outros seguimentos do mesmo gênero, mas bem mais recentes, em detrimento de uma tradição tricentenária, que nunca perde a atualidade e a importância. E que é muito mais maçônica!

 

Graças a um jovem e abnegado Maçom, Ir.·. Weber Varrasquim, a Adoção de Lowtons retomou vigor a partir do ano de 2002 com a criação e fundação do Supremo Conselho Universal da Ordem dos Lowtons, inclusive sendo criado 4 graus de acordo com a faixa etária dos jovens adotados, e a partir de então vemos nesta iniciativa o resgate da mais legítima, antiga e conhecida instituição para maçônica do mundo.

Autor:

Ir.·. José Castellani, junho de 2003

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

PODEMOS SER CRISTÃOS E MAÇONS?

 


                                                         Pastor Todd E. Creason M.·.M.·.


Há algumas razões pelas quais queria abordar este tópico, principalmente devido ao número de comentários e questões que recebo sobre este assunto.

 

Na maioria das vezes não são perguntas; dizem-me “não se pode ser cristão e Maçom”.

Isto não é verdade. Eu sou cristão e Maçom.

 

E também tenho as coisas na minha vida alinhada na ordem correta.

Deus primeiro, depois a família, depois o meu trabalho e a Maçonaria ocupando a retaguarda.

 

Eu sou cristão há mais de trinta anos. Sou um leitor regular da Bíblia e frequento a igreja. Nada é mais importante para mim do que meu relacionamento com Deus.

 

Eu trabalhei duro na minha vida para aplicar os valores que eu encontro na Bíblia para a minha vida, e como todos os cristãos, falho.

 

No entanto, eu nunca encontrei nada na Maçonaria que entre em conflito seja de que forma for com o que eu leio na Bíblia.

 

E eu nunca estive envolvido com uma igreja que tivesse uma proibição contra a Maçonaria – na verdade, um dos diáconos de uma igreja a que eu pertenci por mais de uma década era um Grau 33º (muito antes de eu saber exatamente o que isso significava).

Algumas denominações e algumas igrejas individuais, no entanto, proíbem os seus membros de se juntarem à Fraternidade, por uma variedade de razões.

 

Eu não vou entrar por todas essas razões, mas a queixa mais comum que ouço na minha área é o fato de que a nossa Fraternidade está aberta a todos os homens que acreditam na existência de Deus – por isso é aberta a todas as principais religiões.

 

Algumas denominações cristãs e igrejas têm um problema com isto.

É direito deles, e eu posso até respeitar a sua posição. Esta posição de admitir membros de todas as crenças religiosas não é nova para a Maçonaria.

 

De fato, a Maçonaria tem desempenhado um papel muito importante na história da nossa nação sobre este mesmo tópico de tolerância religiosa e liberdade religiosa na América.

 

Na América, nós temos liberdade de religião.

Está na nossa Constituição – está lá por causa dos maçons.

Este conceito de liberdade de religião veio das Lojas Maçônicas.

 

De fato, há alguns conceitos, para além da liberdade religiosa que foram emprestados da Maçonaria pelos nossos Pais Fundadores quando eles elaboraram a Constituição dos Estados Unidos.

 

A Maçonaria ontem e hoje respeita TODAS as religiões e TODOS os americanos têm o direito de adorar como desejarem.

 

E é por causa destes direitos assegurados em parte pelas tradições da Maçonaria, que estas igrejas têm hoje todo o direito de proibir os seus membros de se juntarem às nossas Lojas se acharem que isso está em conflito com as suas crenças religiosas.

 

Creio que você gostará disto, afinal foi ideia nossa!

 

Assim sendo, eu não vou discutir se as denominações ou igrejas têm o direito de criar regras como estas – elas claramente podem; nem vou discutir se estas proibições são certas ou erradas.

 

Se essas são as suas crenças, então precisamos de as respeitar.

 

O que nunca devemos fazer como maçons é discutir crenças religiosas nas nossas lojas, ou julgar essas políticas ou essas crenças – eu vejo muito isso na comunicação social.

 

Questionar as visões religiosas de alguém ou as políticas da sua igreja é o caminho mais seguro para começar uma briga – é algo profundamente pessoal.

 

Uma das formas mais fáceis de dividir a sua Loja e alienar um Irmão de outro é discutir religião entre vocês – a segunda, é discutir política.

 

Nós todos sabemos que não devemos discutir religião ou política em Loja e as razões pelas quais não o devemos fazer.

 

Outra razão pela qual eu quis tocar neste assunto é por causa de algumas das coisas desagradáveis que eu li recentemente na comunicação social, dirigidas a igrejas e denominações que mantêm uma proibição de que os seus membros se possam juntar a uma Loja Maçônica.

Como membro da Fraternidade que ajudou a fundar o conceito de liberdade religiosa na América, devemos praticar o que andamos a pregar há tanto tempo.

 

Nem todas as igrejas têm atitudes negativas perante a Maçonaria – longe disso! Muitos respeitam a organização e muitos até se juntam aos maçons para angariar fundos para apoiar causas locais.

 

Recentemente, juntei-me a uma igreja que eu frequentava há algum tempo, e antes de entrar, uma das coisas que eu perguntei ao pastor daquela igreja era como esta igreja se sentia sobre a Maçonaria.

 

Esta igreja respeita o bom trabalho que a nossa Fraternidade faz, e há alguns maçons que frequentam a minha igreja – notei placas maçônicas no estacionamento na primeira manhã em que participei, então eu tinha quase a certeza de como ele iria responder, quando lhe fizesse a pergunta.

 

Eu sou um crente. Eu sou também Maçom.

 

Na minha experiência, não vejo conflito entre os dois; na verdade, acho que se complementam.

 

Muitos dos princípios e costumes ensinados na Bíblia são espelhados pelos ensinamentos da Fraternidade também.

 

Conceitos que buscamos como Maçons Livres como verdade, amor fraternal, caridade, tolerância, etc., são os mesmos conceitos que os Pastores das igrejas cristãs pregam em todos os domingos.

 

A Fraternidade dá-me oportunidades para aplicar estes princípios. Dá-me instruções sobre como incorporar estes conceitos na minha vida a cada dia.

 

Isto encoraja-me, tal como a minha igreja, a continuar a trabalhar para me melhorar a mim mesmo e ao meu caráter moral.

 

Eu não vejo qualquer conflito. . . para mim. Mas voltando à minha pergunta original.

 

Pode-se ser um Maçom e um cristão?

Eu claramente posso e sou!

 

Mas se você pode ser um Maçom e um cristão é entre você, Deus e sua igreja. Contudo, qualquer maçom lhe dirá que nunca deve colocar a Loja antes do seu relacionamento com Deus.

 

E se isto significar que você não entre numa Loja Maçônica por causa de uma proibição contra a adesão, então você deve respeitar isso.

 

Eu só posso responder a esta pergunta relativamente a mim mesmo; você deverá fazer o mesmo por si.

 

Pastor Todd E. Creason M.·.M.·.

O pastor Todd foi ordenado pela Igreja Batista Americana em 2024 e atua como pastor sênior da Igreja Batista de Muncie.

 

Grau 33° – Midnight Freemasons Founder,

Autor premiado de vários livros e romances, incluindo a série Famous American Freemasons.

Ele é o autor do blog From Labour To Refreshment.

 

Entre outras atividades maçônicas, foi Venerável das Lojas Homer nº 199 e Ogden nº 754 (IL), onde atualmente serve como secretário.

É também Past Sovereign Master da Eastern Illinois Council nº 356 Allied Masonic Degrees.

AS INCRÍVEIS FÉRIAS MAÇONICAS

 

 


    “Férias maçônicas” é uma invenção brasileira, deste século e que vem sendo cada vez mais “esticada”, para satisfação daqueles que creem que trabalho maçônico é estafante.

Vou dar 2 exemplos: No Grande Oriente do Brasil temos, o alentado período de 30 dias – 20 de dezembro a 20 de janeiro – e, na Grande Loja, o período de 20 de Dezembro a 6 de Janeiro -, para que os “cansados” Maçons repousem do seu pesado trabalho simbólico de operário.

 Isso, todavia, nem sempre aconteceu. Consultando antigos livros de atas, pode-se constatar que as Lojas não paravam os seus trabalhos, nem no Natal ou na passagem de ano.

 Tomemos, para exemplo, alguns casos:

 

* Na Loja “Amizade”, de São Paulo, dois padres (padres, vejam bem!), Manoel Joaquim Gonçalves de Andrade e José Joaquim dos Quadros Leite, foram Iniciados a 25 de Dezembro de 1832; e, no dia 30 de Dezembro, foi Iniciado o padre José Joaquim Rodrigues.

 

* E o Templo da Loja, à rua Tabatinguera, foi inaugurado num dia 3 de Janeiro de 1873.

 

* A 8 de Janeiro de 1890, era aprovado, em sessão económica, um voto de congratulações, pela escolha do marechal Deodoro da Fonseca para o Grão-Mestrado do Grande Oriente do Brasil.

 

* A Loja “Fé e Perseverança”, de Jaboticabal, promoveram a sua Sessão de Regularização, a 5 de Janeiro de 1890.

 

* A Loja “Monte Líbano”, de São Paulo, realizava uma Sessão Magna para Iniciação de Júlio dos Santos Martins, português, agente comercial, a 31 de Dezembro de 1914.

 

* A Loja “União Paulista”, de São Paulo, Iniciava, a 7 de Janeiro de 1924, o negociante italiano Francisco Maurano.

 

* A mesma Loja, a 27 de Dezembro de 1928, Iniciava o comerciante italiano Carlos Castellani.

 

* A Loja “Fraternidade”, de Santos, que, em 1915, fez fusão com as Lojas “Renascença II”

    A partir do final do século passado, algumas Lojas começaram a fazer um pequeno hiato nos seus trabalhos, da véspera de Natal até ao dia de Reis, a 6 de Janeiro.

Posteriormente, porém, iria haver um aumento, numa Obediência, que se iria estender às demais e até ser esticado, de forma pitoresca:

 _ A 25 de Janeiro de 1955, último dia dos festejos do 4° Centenário da cidade de São Paulo, era inaugurado o Edifício-Sede do Grande Oriente de São Paulo, à Rua São Joaquim, cuja construção fora iniciada em 1948.

 Para os padrões da época, o prédio era opulento: dois mil trezentos e vinte metros quadrados de construção; quatro Templos, para trabalho de 24 Lojas e mais um Templo nobre; um subsolo e mais três andares, servidos por elevador atlas.

 Templos aerificados, através de um sistema de insuflação de ar fresco, produzido por ventiladores centrífugos de baixa pressão e rotação, com motores elétricos de 5 a 10 HP, para expulsar o ar viciado e quente, que era aspirado para o exterior, através de ventiladores bi helicoidais, com funcionamento automático.

 Abastecimento de água, através de dois reservatórios de concreto, um no subsolo, com capacidade para 10.000 litros e outro no último andar, com capacidade para 4.000 litros.

 Dez instalações sanitárias completas; oito Câmaras de Reflexão, com dispositivo para se ver, de fora, o que se passa dentro, sem que, do interior, se perceba.

 Evidentemente, um prédio tão grande e complexo é de difícil manutenção. E esta dificuldade é agravada pelo grande número de pessoas que por ali circulam e que ajudam a deteriorar a construção.

 E foi isso que aconteceu, em pouco tempo, pois, menos de três anos depois da sua inauguração, o edifício já necessitava de reparos.

 Diante disso, o Grão-Mestre Benedito Pinheiro Machado Tolosa, professor de Obstetrícia da Faculdade de Medicina de S. Paulo, emitia, a 9 de dezembro de 1957, o Ato no 146, estendendo as férias maçónicas – que, então, iam de 24 de Dezembro a 6 de Janeiro – até ao dia 18 de Janeiro, diante da necessidade de se proceder a reparos, limpeza geral e pintura parcial do edifício sede. Nos dois anos seguintes, pelo mesmo motivo, elas foram estendidas até ao dia 20.

 E a coisa acabou, rapidamente, se tornando “tradicional”, mesmo que os motivos tenham sido esquecidos e mesmo que nem se pense em reparos e pinturas, chegando, mesmo, até às Constituições do Grande Oriente do Brasil, as quais, antigamente, eram omissas, não fazendo qualquer alusão a férias.

 Acabou, além disso, chegando a outras Obediências, que, até, talvez adorando a ideia, esticaram mais ainda as tais “férias”, dando, inclusive, um “extra” no mês de julho, como se os Maçons fossem aluninhos de escolas infanto-juvenis, com direito a férias de Verão e férias de Inverno.

 Os maus exemplos, geralmente, frutificam; ou seja: passarinho que anda com morcego, acaba dormindo de cabeça para baixo.

 E, até hoje, não apareceu ninguém para extirpar esta prática, que é esdrúxula, porque o trabalho maçônico é constante e ininterrupto, como o de outras entidades filosóficas, iniciáticas, assistenciais e de aperfeiçoamento do Homem.

 (seria, realmente, comico, se a Igreja, por exemplo, entrasse em férias).

 

Coisas como esta é que desgastam a Maçonaria Brasileira, reduzindo-a a condição de simples clube, ou sociedade recreativa, o que contribui para corroer a sua credibilidade pública.

 

    Como, notoriamente, o uso do cachimbo faz a boca torta, será difícil acabar com esta invenção, pois as justificativas são muitas:

 _ uns alegam que é preciso dar férias aos funcionários da Obediência e das Lojas, esquecendo-se de que qualquer empresa, ou sociedade, dá férias aos seus funcionários, sem fechar as suas portas;

 _ outros, no exercício do mais profundo egocentrismo, justificam as tais férias (inclusive as de Inverno), com a necessidade de aproveitar as férias escolares e viajar com a família, esquecendo-se – intencionalmente, é claro – de que, se os filhos têm três meses de férias escolares, qualquer trabalhador tem, no máximo, 30 dias, a não ser que seja um nababo biliardário, ou um desocupado crônico.

 Além disso, muitos Maçons, já maduros e sem filhos em idade escolar, gostariam de frequentar os trabalhos maçônicos, constantemente, mas são tolhidos pela ditadura egoísta dos que acham que, se eles não podem frequentar, os outros também não podem.

 

    É o caso de recorrer à velha expressão: “Vai trabalhar, vagabundo “, pelo menos, na Maçonaria, já que a indolência, hoje, é marca registada nacional (basta ver os tais “feriados prolongados”).

 

Ir.·. José Castellani