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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

 

OS MONGES MAÇONS

 

Em 1786, bem dentro da Abadia de Clairvaux, localizada em Aube, foi constituída uma Loja de 13 Irmãos Cistercienses, sob os auspícios do Grande Oriente de França.

 Que um grupo de clérigos pudesse montar uma Loja Maçónica pode, à primeira vista, parecer estranho quando sabemos da animosidade que existia entre o Catolicismo e a Maçonaria.

 Mas isso seria esquecer muito rapidamente a História…

 Esta situação não é de facto excepcional nesse final do século XVIII, quando as bulas papais ainda não tinham esvaziado as lojas dos servos de Deus.

 Ela revela não uma fratura doutrinária ou ideológica, como muitas vezes é afirmado hoje, mas sim uma verdadeira convergência de ideias.

 Pouco antes da Revolução, a maior parte das lojas francesas praticava uma Maçonaria exclusivamente orientada para o aperfeiçoamento do homem através do trabalho, e cuja base repousava sobre as três virtudes teologais que são a Fé, a Esperança e a Caridade.

 _ Somente a Maçonaria do tipo anglo-saxão continua hoje a manter esse ternário como um pilar fundamental da metodologia maçónica.

Extrato da correspondência endereçada ao Grande Oriente da França, pelos monges cistercienses:

 * Ao Or∴ de Clairvaux, lugar muito forte e iluminado onde reina a Igualdade, a Paz, a União, o Silêncio e a Amizade, no quarto dia do segundo mês do ano da V∴ L∴ 5785,

 * Ao Mui Respeitável, Sapientíssimo, Esclarecido e único legítimo G∴ Or∴ de França

 * Nós estávamos na escuridão da irregularidade; para sair, nós nos dirigimos à R∴ L∴ Union de la Sincérité no Or∴ de Troyes, para que ela nos forneça, através dos seus raios luminosos, os meios para alcançar o caminho que conduz à via do augusto centro tribunal dos verdadeiros maçons;

* por conseguinte, no quinto dia de abril no ano da V∴ L∴ 5785, traçámos uma prancha que endereçamos a essa R∴ L∴ para convidar os IIr∴ que a compõem a visitar os nossos trabalhos e nos indicar a qualidade dos materiais necessários a empregar para fundar o templo que queremos erigir.

* Esses RR∴ IIr∴ tendo-nos feito esse favor e impactados pelo brilho deste primeiro raio de verdadeira Luz, inspiraram-nos ainda mais o desejo de nos submetermos às Leis e regulamentos do vosso ilustre Areópago;

* já submetidos de coração e afeto às leis da sabedoria e virtude, aspiramos a felicidade de nos comprometer por um juramento irrevogável;

* podeis vós, Mui RR∴ IIr∴ considerar-nos dignos desse favor, podeis perdoar a irregularidade dos nossos primeiros trabalhos, podeis vós, saciando os nossos votos, completar a nossa felicidade;

* nós vos exortamos a que se dignem de nos conceder os seus santos votos,

* dignai-vos aceitar as homenagens da nossa submissão aos seus respeitáveis decretos e constituições que emanam do seu augusto tribunal,

* dignai-vos de nos agregar aos verdadeiros maçons.

* Nós vos pedimos para confirmar o título da Loja Vertu; este não é um título desprovido de realidade, nós o gravámos nos nossos corações e os nossos trabalhos estão sob garantia;

* ousamos esperar que favoráveis aos nossos desejos, vós possais aceitar como nosso Deputado junto ao vosso tribunal o Mui Q∴ Ir∴ Jean Eustache Peuvert, funcionário do Parlamento em Cais d’Orleans,

* confiantes de que teremos nele um sólido apoio; se puderem na sua sabedoria considerar os nossos desejos …

 

Muitos comentaristas viram no nascimento, mas também na vida tumultuada e efémera desta Loja, apenas os conflitos entre visão secular da Maçonaria e a visão secular da religião, a origem daquilo que foi em França um verdadeiro trauma espiritual.

Eles esquecem-se de enfatizar que as Ordens monásticas são dentro da Igreja Católica bem mais do que apenas ordens religiosas.

Elas são uma Ordem dentro da Ordem, porque elas derivam a sua identidade numa história muito mais profunda e mais antiga que a sua assimilação pela Igreja de Roma.

Elas eram desde tempos imemoriais, os atores operativos e económicos dos seus territórios, um pouco como também o eram as corporações de construtores antes do advento da Maçonaria.

A busca pelas virtudes teologais foi por muito tempo e quase até a recente generalização do Rito Escocês Antigo e Aceite e do Rito Francês (moderno) pela Maçonaria continental, o primeiro objeto da busca maçónica.

Apenas o nome e o “logotipo” de certas Lojas atuais lembram essa realidade esquecida.

Portanto, não é surpreendente descobrir que trabalhadores apaixonados pela espiritualidade pudessem tentar completar a sua busca por outros meios que não fossem uma religião dogmática, para emancipar as virtudes essenciais da Escada de Jacob, que conduz aos mesmos sonhos da maçonaria, menos religiosa de hoje: 

A PAZ e a EMANCIPAÇÃO SOCIAL.

 

 

Pierre Invernizzi M.·.M.·.

 

(Adaptado de tradução feita por José Filardo)

2026

 

A COR DO AVENTAL DE MESTRE 

E 

DOS TEMPLOS DO RITO ESCOCÊS.



 A cor distintiva do REAA sempre foi vermelha encarnada, cujas origens primitivas são devidas aos Stuarts, reis católicos da Inglaterra.

Em 1649 após a revolução puritana de Cromwell e a seguinte decapitação do Rei Carlos I em janeiro daquele ano, o reinado deposto da Inglaterra receberia exílio na França. Sob a capa de algumas Lojas maçônicas em solo francês (Guardas Irlandesas) seria urdida a retomada do trono perdido na Inglaterra.

Essa influência “jacobita” (católicos) e a sua simbólica cor vermelha (do cardeal) viria influenciar a organização desse movimento maçônico “stuartista” alcunhado em território francês como “escocês”, devida a sua origem católica. Assim, sob a influência religiosa dos Stuarts, o matiz “encarnado” se consolidou paulatinamente no Rito Escocês.

Entretanto, nesse sentido ainda existe outro aspecto que é merecedor de consideração.

No ano de 1801 nos Estados Unidos da América do Norte, já estando o Rito organizado e titulado como Escocês Antigo e Aceito com a fundação do seu Primeiro Supremo Conselho (Mãe do Mundo) em Charleston na Carolina do Sul, apareceria no ano de 1804, em Paris, sob a égide do Segundo Supremo Conselho e sob a tutela do Grande Oriente da França, o primeiro ritual simbólico para o REAA. Até então o Rito Escocês Antigo e Aceito não possuía graus simbólicos (ia apenas do 4º ao 33º). A lacuna dos três primeiros graus simbólicos era preenchida utilizando-se das Lojas Azuis norte-americanas.

Com o aparecimento em 1804 do primeiro ritual em território francês, ainda no primeiro quartel do século XIX, também apareceriam as hoje extintas Lojas Capitulares, predominantemente “vermelhas”, cujas quais ficariam sob a tutela do Grande Oriente da França. Em síntese, essas Lojas acomodavam os graus simbólicos e os demais até o 18º, enquanto que do 19º em diante ficavam sob a égide do Segundo Supremo Conselho (da França).

Embora o formato de Lojas Capitulares não vingasse por muito tempo, pois logo as coisas retomariam os seus devidos lugares, ficando o simbolismo com as Potências Simbólicas e os demais com o Supremo Conselho, mesmo com a extinção dessas Lojas, muitos resquícios do Capítulo permaneceriam arraigados no simbolismo do Rito Escocês, como é o caso, dentre outros não menos importantes, do da cor capitular que é predominantemente vermelha, cuja qual se somaria ao original encarnado cardeal jacobita.

Assim, primariamente sob a influência stuartista jacobita (católica) e, por extensão, mais tarde pela influência das Lojas Capitulares (de alcance religioso cristão católico e templário) o Rito Escocês Antigo e Aceito consolidaria a cor encarnada (vermelha) como matiz identificador do seu simbolismo, o que seria sacramentado em 1875 na Suíça por ocasião do Conselho de Lausanne que reunia oficialmente os Supremos Conselhos do Rito para instituir uniformidade e outras medidas necessárias.

Em se tratando da cor azul, que na contramão da história assola o Rito Escocês em boa parte da Maçonaria brasileira, embora muitos não aceitem esse argumento verdadeiro, a principal razão para tal vem de acontecimentos ocorridos na cisão de 1927 no GOB e capitaneados pelo Irmão Mário Marinho Béhring, fundador das Grandes Lojas Estaduais Brasileiras.

Naquela oportunidade Béhring, buscando reconhecimento para a Obediência que acabava de florescer, se aproximou das Grandes Lojas Estaduais dos Estados Unidos da América do Norte.

Não obstante a procura de reconhecimento; é sabido que as Grandes Lojas norte-americanas praticam o seu simbolismo pelo sistema dos “Antigos” da Segunda Grande Loja de 1751 inglesa, cujo qual foi organizado em solo norte-americano por Thomas Smith Webb ainda no século XVIII.

As Lojas Azuis, ou o Craft Americano, ficaram conhecidos aqui no Brasil como Rito Americano, ou Rito de York (alusão aos antigos), embora no Grande Oriente do Brasil se pratique o Ritual inglês, também conhecido como York ou os Trabalhos de Emulação.

 

Cabe lembrar que essas Lojas Azuis (americanas) são as mesmas que deram origem ao primeiro ritual do escocesismo simbólico em 1804 quando, naquela oportunidade, maçons franceses de regresso à França, influenciariam a sua construção pelo no modo “Antigo” (1751), já que a França da época desconhecia esse sistema, pois naquele período a prática maçônica francesa estava intimamente ligada aos “Modernos” ingleses da Primeira Grande Loja de 1717. O termo “Antigo” que compõe o título do Rito Escocês se deve a influência antiga anglo-saxônica.

Por outro lado, é amplamente conhecido que os aventais de Mestre do Craft norte-americano, ou Lojas Azuis, coincidentemente também são de gradação azul e foi assim que Béhring, em busca de reconhecimento no Craft norte-americano para as suas Grandes Lojas Estaduais Brasileiras, trouxe para Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil, provavelmente para promover um agrado, a cor azul em substituição à original cor vermelha do avental do Mestre no escocesismo.

Na verdade, não foi só o avental do Mestre que sofreu essa equivocada mudança no escocesismo, mas também foram azuladas as paredes dos templos e outros adereços de decoração, tudo na contramão daquilo que se encontra oficializado desde 1.875 no Conselho de Lausanne, onde o avental do Mestre, as paredes, toalhas, estofos e decoração do Templo são inquestionavelmente “vermelhos”.

Infelizmente o Grande Oriente do Brasil viria também mais tarde a “azular” os aventais e templos escoceses - isso nos anos aproximados de 1.965, principalmente por influência de Irmãos oriundos das Grandes Lojas Estaduais que ingressaram no GOB.

Na verdade, aventais azuis cabem tradicionalmente ao Rito Moderno ou Francês, ao Adonhiramita, ao York (inglês ou americano) e ao Schröder, dentre os ritos mais conhecidos, diferenciando-se por razões históricas apenas o REAA que originalmente, repito, possui a cor vermelha.

Atualmente, em se tratando das Obediências mais antigas brasileiras, apenas os Grandes Orientes Independentes (COMAB) tem se mantido na verdadeira e tradicional cor encarnada no simbolismo do REAA.

Em síntese essa e a razão da ambiguidade que envolve o vermelho e o azul no Rito em questão aqui no Brasil, sobretudo por determinadas “carcaças de dinossauro” que ainda são ferrenhamente defendidas por determinados articulistas que se arvoram em difundir velhos rituais anacrônicos editados no Brasil.

 

A realidade, entretanto, é que a cor predominante no Rito Escocês Antigo e Aceito é a encarnada, embora ainda vivamos - como já mencionado - na contramão da história atendendo rituais “azulados”, mas que estão em vigência, o que nos dá a obrigação de cumpri-los irrestritamente, mesmo que contraditórios.

Lembro àqueles Irmãos que estão, ou já estiveram colados no Grau 18 do REAA, que atentem para a cor predominante no Sublime Capítulo R+ e, ao mesmo tempo, façam a sua correlação com as extintas Lojas Capitulares dos tempos de antanho onde o Athersata era o mesmo Venerável da Loja Simbólica.

Do mesmo modo sugiro sejam perscrutadas as origens do escocesismo a partir da revolução puritana de Cromwell em 1649 na Inglaterra.

Por fim sugiro consultas sobre esse assunto em obras e escritos de autores como José Castellani, Xico Trolha, Hercule Spoladore, Theobaldo Varolli Filho, Frederico Guilherme da Costa, dentre outros autênticos e comprometidos com a verdade.

 

 

T.F.A.

PEDRO JUK - 01-07-2026

Publicado nesse blog em 25-09-2026

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

 

A ORIGEM DO ALFABETO MAÇÔNICO

 

acima se encontram o Alfabeto Maçónico Alemão,

o Inglês e o correspondente na Idade Média.

 

A origem do Alfabeto Maçónico deve-se ao místico e alquimista alemão Heinrich Cornelius Agrippa Von Nettesheim.

Heinrich Cornelius Agrippa, nasceu em 15 de setembro de 1486 em Colónia, na Alemanha.

Passou boa parte de sua vida na França e Itália, onde dedicava o seu tempo principalmente ao estudo das ciências ocultas, que mesmo sendo considerada uma heresia naquela época, nunca existiu evidências de que ele foi seriamente acusado ou condenado, devido a esse interesse ou prática das mesmas.

Em 1503, Agrippa assumiu o nome de Cornelius Agrippa Von Nettesheim, adoptando o “Von” para sugerir assim a sua origem nobre.

Em 1506, ele fundou uma sociedade secreta em Paris, direcionada aos estudos da Astrologia, da Magia e da Cabala.

Na sua carreira profissional, Agrippa foi agente secreto, soldado, médico, orador e professor de Direito.

Em 1509, ele instalou um laboratório em Dole, com o objetivo de sintetizar ouro, e durante a década seguinte viajou pela Europa vivendo como um alquimista e dialogando com importantes humanistas.

Em 1520, começou a praticar medicina em Genebra, tornando-se médico pessoal da mãe da rainha em 1524, na corte do Rei Francis I em Lyon.

Posteriormente moveu a sua prática médica para Antuérpia, sendo mais tarde proibido por praticar sem licença.

Ressurge depois como historiador na corte de Charles V.

Agrippa estudou profundamente a filosofia Hermética, a Cabala judaica e o Cristianismo.

Escreveu e publicou três livros de filosofia oculta, sendo estes uma exposição sistemática do oculto no sentido do conhecimento.

É um trabalho enciclopédico de magia renascentista, fornecendo informações sobre tópicos tão diversos como regências planetárias, virtudes ocultas, simpatias e inimizades das coisas naturais, encantamentos, feitiços, tipos de adivinhação, as escalas de números e seus significados, talismãs astrológicos, a Trindade Divina, os nomes cabalísticos de Deus e as ordens dos espíritos malignos.

Agrippa morreu em Grenoble no ano de 1535.

No romance e na ópera ele é apresentado como estando em uma posição perigosa com as autoridades religiosas: nelas Agrippa nega enfaticamente que sua pesquisa é sobrenatural, afirmando que se trata apenas do estudo aprofundado da própria natureza.

O sistema de codificação mono alfabética, utilizado há muito tempo pela Maçonaria, mais conhecido como Alfabeto Maçónico, foi atribuído a esse místico e alquimista alemão, Cornelius Agrippa Von Nettesheim.

Em 1533, Agrippa publica “De Occulta Philosophia” em Colónia, na Alemanha. No livro 3, capítulo 30, ele descreve a sua codificação.

Vale ressaltar que este Alfabeto foi muito utilizado nos séculos XVII e XVIII, sendo que até hoje alguns Maçons ainda o utilizam, mais como uma forma de manter a sua tradição do que mesmo assegurar a confidencialidade de um conteúdo ou mensagem, visto que a sua chave foi “quebrada”, ou melhor, tornou-se de conhecimento público há muito tempo.

Setembro de 2026 E.·.V.·.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

 

SERENÍSSIMO ou SOBERANO?

Paramentos de Grão Mestre do REAA

 

Do latim serenus, significando a postura e o comportamento das dignidades reais.

A República de Veneza recebeu o título de Sereníssima República di Venezia.

Na maçonaria, surgiu esse título para distinguir os maçons originários da realeza francesa.

Hoje, os Grão-Mestres das Grandes Lojas Maçônicas são denominados “Sereníssimos” ao passo que os grão-mestres de Grandes Orientes recebem o tratamento de "Soberano e ou Eminentes" (quando estaduais no caso do Brasil). 

Trata-se de um título de distinção que, ao mesmo tempo, revela o respeito que os maçons têm para com a autoridade suprema da obediência a que pertencem.

Por outro lado, os grãos-mestres devem fazer jus ao título que portam, mostrando-se serenos, virtuosos, compreensíveis e justos.

Para o maçom, o grão-mestre representa o poder a que deve submeter-se por uma questão de obediência hierárquica.

O grão-mestre comunica-se com os seus jurisdicionados através da palavra semestral, que circula na cadeia da união, presença esotérica que se materializa através da palavra que circula de ouvido a ouvido.

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  “Escrevo pra ti, maçom ativo.

Escrevo pra ti, maçom adormecido.

Escrevo pra ti, maçom sonolento.

Escrevo pra ti, maçom que crê na existência do Grande Arquiteto do Universo.

Escrevo pra ti, maçom cristão.

Escrevo pra ti, profano de alma maçônica.

Escrevo pra ti, homem sem esperanças!”

 

Rizzardo DaCamino

2026 E.·. V.·. 

O que um Leigo pensa sobre o Grau 33.


 

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

 

A falta de zelo

D. Pedro II

“A falta de zelo, a falta de cumprimento do dever, é o nosso primeiro defeito moral como brasileiros”.


Lamentava o Imperador Dom Pedro II, num dos raros momentos de desalento, escrevia em seu diário, a data de 10 de janeiro de 1861:

 “Nada. Só muita tristeza, ainda que seja preciso mostrar cara alegre.


Muitas coisas me desgostam; mas não posso remediá-las e isso me aflige profundamente.


Se, ao menos, eu pudesse fazer constar geralmente como penso!

Mas, para que, se tão poucos acreditariam nos embaraços que encontro para que se faça o que eu julgo acertado!


Há muita falta de zelo, e o amor à pátria só é uma palavra para a maior parte!


Ver onde está o bem e não poder concorrer para ele senão lentamente, burlando-se muitas vezes os próprios esforços,
é um verdadeiro tormento para o Soberano que tem consciência;
mas a resignação é indispensável, para que a influência do Soberano vá produzindo, sem abalos, sempre mãos, seus efeitos desinteressados do que não seja bem público, alvo necessário do Monarca Constitucional! Sendo uma Monarquia Parlamentarista!"


FONTE: DIÁRIO DE PEDRO II (Biblioteca Nacional RJ e Acervo de pesquisa do Museu Imperial de Petrópolis RJ)

 

Sobre aquela moeda

"palestina"

que você vê frequentemente nas redes sociais.

Muitas contas pró-Palestina adoram exibir essa moeda como "prova" de que um dia existiu um Estado Árabe independente chamado Palestina.

Isso está errado em todos os aspectos.

A moeda foi emitida pelos britânicos.

Ela foi cunhada pelo Mandato Britânico da Palestina. Ela comprova a administração britânica, não a existência de um país árabe.

A inscrição em hebraico na moeda diz "Eretz Yisrael". Literalmente, significa "Terra de Israel". Os judeus da época insistiram que isso aparecesse ao lado do texto em inglês.

A própria moeda reconhece o antigo nome judaico da terra.

nome "Palestina" era usado principalmente pelos judeus. O *Palestine Post* era o jornal judaico. A *Palestine Airways* era uma companhia aérea judaica. Clubes esportivos judaicos usavam o nome com orgulho. Os árabes da época rejeitavam o nome Palestina e se identificavam como sírios do sul ou simplesmente como árabes.

Nunca houve uma nação árabe chamada "Palestina".

Nenhum rei palestino.

Nenhuma língua palestina.

Nenhuma moeda palestina.

Nenhuma camada arqueológica palestina.

Nenhuma capital palestina.

Nenhuma dinastia histórica palestina.

O Mandato Britânico foi uma designação administrativa temporária criada após a queda do Império Otomano. Não era um Estado árabe e nunca funcionou como tal.

Portanto, quando as pessoas compartilham essa moeda online, elas estão, sem querer, provando exatamente o oposto do que alegam.

Elas estão exibindo uma moeda colonial britânica que traz,

literalmente, as palavras

 "Terra de Israel".

2026 E.·.V.·.

 

Os Onze cavalheiros de Charleston

A fundação do Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito em 1801

09/06/2026

Uma reunião discreta, um legado duradouro

Na esquina das ruas Church e Broad, em Charleston, Carolina do Sul, ficava outrora a taverna de Mr. Shepherd. Desde 1736, o estabelecimento servia como local de encontro para maçons da região. Na primavera de 1801, Charleston era uma das cidades mais cosmopolitas da jovem república norte‑americana, um porto onde comerciantes, soldados, refugiados e estudiosos de diferentes nações, confissões religiosas e posições sociais conviviam lado a lado. As Lojas maçônicas que se reuniam na taverna já vinham, há décadas, aproximando esses homens para além das fronteiras de língua, credo e costume, tecendo pontes entre o Velho e o Novo Mundo.

Foi nesse ambiente que, em maio de 1801, onze indivíduos se reuniram com o propósito de criar algo novo. O que edificaram perdura há mais de dois séculos e um quarto, tendo-se difundido por diversos países e ficando conhecido como o Supremo Conselho, Conselho Mãe do Rito Escocês. Esta é a história desses onze cavalheiros.

Porquê Charleston?

Em 1801, os Estados Unidos tinham apenas uma geração de existência. Filadélfia, Boston, Baltimore e Nova Iorque já possuíam comunidades maçônicas florescentes. Por que, então, que um dos corpos governativos mais importantes da história da maçonaria de altos graus teve início em Charleston?

A economia desempenhou um papel significativo. Charleston era, na viragem do século XIX, um próspero centro portuário, a sua economia baseava‑se no cultivo de arroz, anil e algodão, numa indústria de construção naval em rápido desenvolvimento e, importa recordar, no trabalho de pessoas escravizadas. Contudo, para além do dinamismo comercial, Charleston fora moldada por uma promessa invulgar desde os seus primórdios. A primeira constituição da colônia, redigida com o contributo do filósofo John Locke, garantia liberdade religiosa a judeus, "pagãos" (provavelmente os nativos americanos) e a todos os que dissentissem da Igreja Anglicana. Essa promessa atraiu colonos de todo o Atlântico.

Em 1790, Charleston contava com uma biblioteca pública gratuita desde 1698, uma escola livre desde 1710 e um teatro profissional desde 1735. A tolerância, porém, tinha limites: o catolicismo romano fora proibido em 1719 e só readquiriu legalidade em 1790. Assim, a plena diversidade religiosa da cidade estava na memória viva dos homens que se reuniram em 1801. Charleston aprendera, pela experiência difícil, que a sua sobrevivência dependia da cooperação entre pessoas de diferentes culturas. Nesse caldeirão social, a Maçonaria fraternal trabalhava silenciosamente há mais de sessenta anos.

A maçonaria nos Estados Unidos em finais do século XVIII

Em 1801, a maçonaria não era nova na América: era fundacional. Benjamin Franklin tornara‑se maçom em Filadélfia por volta de 1730 e mais tarde serviu como Grão‑Mestre da Pensilvânia. George Washington foi iniciado em Fredericksburg, Virgínia, em 1752, e eleito venerável mestre da Loja de Alexandria quando já era presidente. Joseph Warren, primeiro Grão‑Mestre de Massachusetts, morreu na Batalha de Bunker Hill em 1775. Trinta e três dos oficiais-generais das forças americanas eram maçons, e Lojas militares acompanhavam o Exército Continental.

Após períodos de guerra ou grande tribulação, observa‑se frequentemente um influxo de novos membros nas Lojas locais. Esses homens, que haviam partilhado a experiência militar, procuravam manter o vínculo de camaradagem, e a maçonaria oferecia‑lhes essa oportunidade. Nos anos anteriores à fundação do Supremo Conselho, a Maçonaria não era apenas uma fraternidade privada: ajudava a lançar as bases literais da nova república. Em abril de 1791, a Loja de Alexandria colocou a pedra fundamental do Distrito de Columbia com cerimónias maçônicas completas; em outubro de 1792, a Loja n.º 9 de Maryland colocou a pedra fundamental da Casa Branca; e, em setembro de 1793, o presidente e irmão George Washington, usando o seu avental maçónico, colocou a pedra fundamental do Capitólio com uma trolha e um malhete maçónicos.

Charleston não era exceção. Em meados do século XVIII, pelo menos nove Lojas maçônicas reuniam‑se regularmente na cidade. Além da loja simbólica (craft lodge), funcionavam em Charleston a Grande Loja, Lojas subordinadas como a La Candeur (de língua francesa), Lojas americanas de língua inglesa e representações do Rito Escocês. Tratava‑se, portanto, de um epicentro de atividade maçônica.

As origens dos Altos Graus

Para compreender o que aconteceu em Charleston em 1801, é necessário recuar a Londres e a França. Quando a Grande Loja (ou Premier Grand Lodge) foi fundada em Londres em 1717, existiam apenas dois níveis, ainda não se chamavam graus. A primeira referência a esses níveis como "graus" data de 1723, e não foi senão em 1725 que se obteve a primeira evidência sólida do grau de Mestre Maçom. Poucos anos depois, por volta de 1733, surgiu em Londres um novo grau, denominado "Mestre Escocês" (Scotch ou Scots Master). Apesar do nome, os altos graus não se originaram na Escócia, mas sim na França, onde acumularam camadas de lenda, filosofia e ritual até emergir, em meados do século XVIII, um sistema estruturado de vinte e cinco graus conhecido como Ordem do Segredo Real.

Foi um homem, Stephen Morin, quem transportou esses graus através do Atlântico. Morin, a quem se pode chamar de aventureiro maçônico, recebeu o grau de Mestre Escocês em 1744 e reconheceu o seu potencial. Feito prisioneiro de guerra por duas vezes, acabou por regressar a Inglaterra, onde o Grão‑Mestre da Grande Loja moderna lhe endossou a patente e o nomeou seu representante no Novo Mundo. De volta às Caraíbas, Morin estabeleceu Lojas e, aproveitando as demoradas comunicações transatlânticas, expandiu as suas próprias atribuições. As constituições que criou para o seu sistema (a Ordem do Segredo Real) basearam‑se em documentos franceses posteriores, mas foram retroativamente datadas.

O deputado de Morin, Henry Andrew Francken, levou os graus para Albany, Nova Iorque, em 1767, efetuando a primeira concessão conhecida desses altos graus nas treze colônias britânicas. Francken traduziu os rituais do francês para o inglês e nomeou uma cadeia de deputados por toda a jovem nação. Essa cadeia de autoridade passou de Francken a Moses Michael Hayes em Boston e, subsequentemente, a uma série de inspetores‑gerais adjuntos, incluindo Isaac Da Costa para a Carolina do Sul. Da Costa estabeleceu a Sublime Grande Loja da Perfeição em Charleston em fevereiro de 1783. Após o seu falecimento em novembro desse ano, a linhagem transitou através de Joseph Myers, do barão Spitzer e, finalmente, do coronel John Mitchell.

Simultaneamente, uma segunda via trouxe os altos graus a Charleston. A Loja La Candeur foi formada por refugiados franceses provenientes da revolução haitiana. Em 1793, os revolucionários incendiaram Cap‑Francês, e residentes como Jean Baptiste Delahogue e o conde Alexandre François Auguste de Grasse evacuaram a ilha. Em novembro de 1794, um inspetor‑geral adjunto, Hyman Isaac Long, ao passar por Charleston, concedeu a esses irmãos franceses os graus superiores a partir do 18.º grau, nomeando vários deles inspetores‑gerais adjuntos (25.º grau, o mais alto da Ordem do Segredo Real).

Por uma coincidência notável, em julho de 1796 um incêndio destruiu a Loja de língua inglesa que funcionava no mesmo edifício da Loja La Candeur. Tanto os maçons anglófonos como os francófonos passaram então a reunir‑se no n.º 42 da Broad Street, a poucos passos do local onde a maçonaria de Charleston começara. Ambas as correntes convergiram, no final da década de 1790, nas mesmas salas e entre os mesmos homens.

O quadro legal e a fundação

Existia ainda um documento que fornecia a base jurídica para um Supremo Conselho do 33.º grau: as Grandes Constituições de 1786. Estas constituições têm sido objeto de considerável debate entre os estudiosos maçônicos: teriam sido realmente redigidas em Berlim? Teriam sido sancionadas por Frederico, o Grande, da Prússia? Seriam genuinamente de 1786? A opinião de vários especialistas é que as constituições de 1786 e a narrativa da fundação do Supremo Conselho por Frederico, o Grande, devem ser compreendidas de modo análogo às lendas tradicionais da maçonaria simbólica, como um pano de fundo lendário, não como um relato literal. Acredita‑se, antes, que os fundadores de Charleston elaboraram as constituições a partir de materiais pré‑existentes. Seja qual for a origem precisa, as Grandes Constituições definiam os cargos do Supremo Conselho, estabeleciam o 33.º grau e conferiam a um corpo governativo a autoridade para ordenar a proliferação dos altos graus.

Os dois protagonistas

Antes de serem onze, foram dois. O coronel John Mitchell, nascido no condado de Antrim, Irlanda, por volta de 1741, foi comerciante, soldado, magistrado, comissário do Orfanato de Charleston e conhecido pessoal de George Washington. Durante a Guerra da Independência, serviu como vice‑intendente do exército, responsável pela logística de movimentação de materiais e suprimentos, uma função que o tornou dependente do general Washington. Após a guerra, Mitchell fixou‑se em Charleston, tornou‑se grão‑mestre adjunto da Carolina do Sul e membro da Sociedade de Cincinnati. Embora figure como uma personalidade fascinante, dele se sabe surpreendentemente pouco.

O Dr. Frederick Dalcho nasceu em Londres em 1770, filho de um oficial reformado do exército de Frederico, o Grande. Veio para Baltimore aos dezessete anos para estudar medicina sob a tutela do seu tio, o médico e maçom Charles Frederick Weisenthal. Dalcho serviu como ajudante de cirurgião e, mais tarde, como tenente no exército. Estabeleceu‑se em Charleston, onde dirigia uma farmácia em paralelo com a prática médica, tornou‑se secretário da Sociedade Médica da Carolina do Sul e, mais tarde, abandonou completamente a medicina para ser ordenado padre episcopal. Dalcho escreveu uma das primeiras histórias da maçonaria na região e, pelos registos sobreviventes, foi o primeiro homem a receber uma patente do 33.º grau, sucedendo a Mitchell como grande comendador.

Em 25 de maio de 1801, Mitchell conferiu o 33.º grau a Dalcho. A patente de Dalcho ostenta essa data. Contudo, neste ponto da origem do Supremo Conselho, o registo histórico torna‑se caracteristicamente incerto. O próprio Dalcho, quando inquirido na década de 1820 sobre onde Mitchell obtivera autoridade para o 33.º grau, respondeu de forma enigmática: não conseguia recordar, mas que o recebera de um prussiano ou alemão autorizado a comunicá‑lo, tendo que assinar uma obrigação em francês. A especulação sobre a identidade dessa pessoa tem sido abundante, mas a evidência mais antiga de um ritual do 33.º grau encontra‑se na caligrafia do próprio Dalcho.

O Supremo Conselho e os seus membros

Em 31 de maio de 1801, Mitchell e Dalcho abriram o Supremo Conselho pela primeira vez. Do manifesto que publicariam no ano seguinte, conhecemos a data e o acto. Do resto do registo sobrevivente, quase nada mais se sabe: não há atas dessa primeira reunião, nem notícias em jornais, nem qualquer registo contemporâneo que confirme a localização. Nenhum outro nome está documentado como presente nesse dia. A expressão "Rito Escocês" quase certamente não foi usada, essa designação só apareceria vários anos depois. Por tradição, acredita‑se que a reunião ocorreu no edifício da esquina das ruas Church e Broad, a antiga Taverna de Mr. Shepherd. Contudo, trata‑se apenas de uma tradição; não se pode afirmar com certeza que tenha sido ali.

Entre maio de 1801 e agosto de 1802, Mitchell e Dalcho expandiram o Supremo Conselho até ao seu limite constitucional de nove membros. No final, onze homens seriam contados entre os fundadores. Provenientes de diferentes nações, diferentes confissões religiosas e diferentes ofícios, estavam unidos pela convicção partilhada de que valia a pena edificar este novo corpo.

O coronel John Mitchell, o primeiro grande comandante, morreu em Charleston em 25 de janeiro de 1816. No dia seguinte ao seu falecimento, os seus papéis maçônicos foram retirados da sua viúva em dois baús por Thomas Bacot, Grão‑Mestre da Grande Loja da Carolina do Sul, e nunca mais foram recuperados. O seu local de descanso final permanece desconhecido.

O Dr. Frederick Dalcho faleceu em Charleston em 1836 e está sepultado no cemitério da Igreja de São Miguel, onde servira durante muitos anos.

Abraham Alexander, nascido em Londres, chegou a Charleston em 1764 e iniciou funções como líder da congregação Beth Elohim, a sinagoga sefardita, cargo que exerceu pelo resto da vida, vinte anos sem remuneração.

Emanuel de la Motta, natural de Santa Cruz nas Caraíbas dinamarquesas, descendente de judeus sefarditas expulsos de Espanha em 1492, foi comerciante e leiloeiro, além de membro ativo da congregação Beth Elohim e um dos fundadores da Sociedade Hebraica dos Órfãos.

O major Thomas Bartholomew Bowen, irlandês, serviu em unidades da Pensilvânia durante a guerra revolucionária e estabeleceu‑se em Charleston como impressor. Foi o primeiro dos onze a falecer, em 1805.

Israel Dibben, nascido em Praga, Boémia, ganhava a vida como açougueiro. Entre os fundadores, é aquele sobre quem menos se sabe e que mais necessita de investigação histórica.

O Dr. Isaac Auld, natural da Pensilvânia, descendente de jacobitas escoceses cuja família fugira para França e depois para a América, foi médico e fundou, com Dalcho, os Jardins Botânicos de Charleston.

O conde Alexandre François Auguste de Grasse, francês, era o único filho do almirante cuja frota fora decisiva na Batalha de Yorktown. Em agosto de 1793, fugiu com a família do incêndio de Saint‑Domingue para Charleston, tornando‑se cidadão americano naturalizado em 1799 e fundando a Loja La Candeur. Apesar de nem sempre ter sido olhado com a mesma proeminência que Mitchell ou Dalcho, a sua importância na criação do Supremo Conselho é incontestável.

Jean Baptiste Marie Delahogue, sogro de Grasse, passara mais de vinte anos em Saint‑Domingue como maçom ativo antes de a revolução o levar para Charleston. Um manuscrito do ritual do 33.º grau inteiramente na sua caligrafia sobrevive até hoje na Biblioteca da Grande Loja dos Países Baixos.

Moses Clava Levi, nascido na Polónia, cujo nome do meio homenageava um tio que servira como médico do rei da Polónia e fora condecorado com a Ordem da Chave Dourada, viveu em Londres antes de migrar para Charleston, onde foi tesoureiro e presidente da congregação Beth Elohim.

O Dr. James Moultrie, o único dos onze nascido na Carolina do Sul, seguiu o pai e o avô estudando medicina na Universidade de Edimburgo, regressando a Charleston para clinicar. Foi o 11.º e último fundador, completando o grupo em agosto de 1802.

O Manifesto de 1802 e a recepção inicial

Em 4 de dezembro de 1802, pouco mais de um ano após a abertura do Supremo Conselho, foi adoptado um relatório de sete páginas. A "Circular aos Dois Hemisférios", frequentemente designada como Manifesto de 1802, tornou‑se o documento mais importante da história inicial do Rito Escocês. Acredita‑se que tenha sido redigido por Dalcho, dadas as semelhanças de linguagem com os seus outros escritos. O documento proclamava ao mundo maçónico que um Supremo Conselho fora fundado e oferecia uma justificação filosófica para a sua criação. A primeira parte traçava lendas maçónicas que culminavam na criação do Supremo Conselho; no final, incluía um calendário de graus, desde Aprendiz Entrado até ao 33.º, dividido em secções que indicavam quem detinha autoridade sobre cada parte da maçonaria. No topo da primeira página, duas inscrições em latim: Deus et mon droit (Deus e o meu direito) e Ordo ab chao (Ordem vem do caos).

A recepção não foi uniformemente favorável. Quando a circular chegou à Grande Loja da Escócia, a resposta foi que o documento "respirava o espírito dos Illuminati". A Grande Loja da Suécia, porém, tornou‑se o primeiro corpo estrangeiro a reconhecer formalmente o novo Supremo Conselho. Com o tempo, o reconhecimento estendeu‑se a diversas regiões do globo.

Perdas documentais e continuidade do legado

Passados 225 anos, os protagonistas já não se encontram entre nós, e quase tudo o que deixaram foi perdido. Dois incêndios que devastaram Charleston praticamente aniquilaram os arquivos do Supremo Conselho. Acresce a Guerra Civil, que destruiu a cidade e tornou quase impossível o funcionamento regular das lojas. Albert Pike, nos seus primeiros relatos, admitiu que muito pouca dessa documentação restava. O trabalho de reconstituição histórica assemelha‑se a um puzzle: procurar saber quem eram essas pessoas, de onde vieram.

Importa, contudo, desfazer um mito. Estes homens não estavam sempre todos juntos nem agiam em perfeita harmonia. Disputavam, separavam‑se, seguiam direções diferentes. No entanto, apesar das suas divergências, reconheciam o valor do projeto comum e apoiaram‑no. E esse é o segredo da continuidade do Rito Escocês até aos nossos dias.

Não sobrevivem atas. Nenhum edifício original permanece de pé. Não se pode afirmar com certeza qual a sala que entraram ou quais as palavras exatas que foram pronunciadas. Contudo, o que edificaram não dependia de nenhum desses elementos. O legado mais importante foi transmitido de irmão para irmão ao longo de mais de dois séculos e um quarto. Onze homens de diferentes nações, diferentes fés, diferentes ofícios reuniram‑se com a convicção comum de que os homens podem melhorar e de que uma fraternidade construída sobre o companheirismo merece ser bem governada.

Essa convicção não morreu com aqueles onze homens. Encontra‑se presente em cada sala de loja, em cada Vale do Rito Escocês e em cada lugar onde maçons do Rito Escocês se reúnem como irmãos, com obrigações partilhadas cuja linhagem remonta aos onze cavalheiros de Charleston. Como se diz em hebraico: L'dor v'dor , de geração em geração. Se não aprendermos com o passado e não transmitirmos esse conhecimento à geração seguinte, perde‑se. Por isso, ainda hoje, em celebrações fraternais, se brinda aos cavalheiros de Charleston.

 

Por Rui Samarcos Lora

09-06-2026

 

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